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Ela usou a Rainha Rania da Jordânia como inspiração, acha que as garotas deveriam pegar mais de seus ídolos, e diz que ela não é a Ariana Grande… ainda. Conheça Naomi Scott, a próxima grande britânica de Hollywood.

Naomi Scott entra no quarto envolta de um branco roupão turco e sentou-se num sofá chesterfield. De repente ela alcança e agarra o ditafone. Ela fala nele, testa – ‘Sim, a qualidade do áudio está boa’ – e entrega para mim, sorrindo. ‘Ok, vamos arrasar!’

Scott é brilhante, divertida companhia, seus grandes olhos radiando calor e intensidade conforme ela fala sobre tudo acerca de sua missão de ajudar a fundar clínicas para mães e bebês no Togo (em um momento ela realmente parece prestes a chorar) de ser uma WAG (seu marido, Jordan Spence, joga no Ipswich Town FC. Nota da tradutora: WAG é o termo em inglês referente às mulheres e esposas de celebridades esportivas), de sua carreira como cantora.

Ela não está com o rótulo de gravação, portanto ela ‘mantém o controle criativo’ – e todo o potencial de renda? ‘Sim, garota! Eu não estou dizendo ser a Ariana Grande no momento mas eu possuo minha própria chefe e minha publicação, e há força nisso.’

Se alguém a comparasse com um personagem de desenho, seria a Princesa Jasmine de Aladdin, a parte que ela interpreta ao lado de Will Smith como o Gênio na versão em live-action do filme de 1992 da Disney. Ela também se juntou à Kristen Stewart e Ella Balinska no novo trio As Panteras, dirigido por Elizabeth Banks. Esse filme virá logo após Aladdin: esse é definitivamente o ano de Scott. Mas ela está pronta.

Aos 26, ela tem estado na indústria por mais de uma década. ‘Eu tive alguns anos no início dos meus 20 quando eu estava quase conseguindo trabalhos e não os conseguindo. Esse foi um tempo realmente importante pois eu aprendi: meu mundo desmorona? Estou deixando isso ser minha identidade? Fico contente que eu passei por isso antes de entrar numa plataforma mundial.’ Estrelar em Aladdin é um sonho de infância se tornando realidade. ‘A Princesa Jasmine sempre foi a minha princesa da Disney quando eu era pequena,’ ela diz, ‘apesar de eu ser mais parecida com a [guerreira chinesa] Mulan em minha personalidade.’

Scott passou seus primeiros anos em Hounslow, antes de sua família se mudar ‘para o outro pedaço muito asiático’ ao redor de Londres, como ela coloca – o subúrbio nordestino da Woodford do Sul. Seus pais são ambos pastores na igreja Bridge Pentecostal local, uma parte importante de sua vida. ‘É uma comunidade muito diversa na igreja, nós somos uma grande família,’ ela diz. ‘Toda a minha criatividade é tão conectada à minha espiritualidade, pois é daí que eu acredito que tudo surge: minha criatividade vem da minha fé.’

Ela iniciou sua carreira como adolescente em puras produções da Disney TV, então o progresso até Aladdin faz sentido, mas ela ainda fez o teste ao lado de outras 1.000. Ela esqueceu de seguir as instruções de trazer um vestido (‘eu não tenho esse tanto de vestidos’), e teve que correr à Topshop para conseguir ‘alguma coisa, qualquer coisa.’ Mas ela tinha convicção, e sabia que ela ‘queria interpretar a Jasmine como uma jovem mulher, não uma menina’.

‘Essa foi a procura de elenco mais globalmente extensiva que eu tenha me envolvido, e quando vimos Naomi, nós sabíamos ter encontrado a nossa Princesa Jasmine,’ diz Ritchie. ‘A Jasmine é uma forte mulher que luta pelo povo de Agrabah, e a Naomi trouxe tanta autenticidade ao papel. Ela trouxe muita energia para o set, também. Desde cantando Parabéns Para Você para o elenco e a produção até brincar com minhas crianças quando elas vieram para o set, ela é fantástica, e sua Jasmine é uma encarnação revigorada da personagem.’

Algumas pessoas entraram no Twitter para criticar o seu casting por sua etnia, que é meio branca inglesa, meio gujarati – nascida em Uganda, sua mãe Usha foi expulsa durante a regra de Idi Amin – ao invés de ser do Oriente Médio, a configuração tradicional da história de Aladdin. Um exemplo de comentário: ‘eu amo a naomi scott mas eu não amo a ideia de que “pessoas marrons são substituíveis” que hollywood acredita então é um não para mim huehue.’ Ela suspira.

‘Você não pode genuinamente agradar todo mundo. Esse sentimento de ser incompreendida pelas pessoas comentando sobre mim – se eu puser energia nisso, não irei a lugar algum. Eu só tenho que continuar a dar os passos que eu me sinto confiante em dar com pessoas que eu amo e confio atrás de mim…’ Parece doer. ‘Claro. Você é humano.’

O plano era ‘adicionar profundidade e preenchimento à personagem da Jasmine, humanizá-la – e empoderá-la’. Em 1992 a Jasmine era graciosa, mas não em 2019. ‘Acredite em mim, ela abandona a graça. Ela não se contêm e caminha para liderar seu país quando ela deve fazê-lo.’ Como uma inspiração Scott menciona a Rainha Rania da Jordânia, cujo trabalho humanitário a impressiona. ‘Ela parece ser super-hiper-legal,’ Scott diz. ‘Na verdade eu vou conhecê-la quando formos a um evento de tapete vermelho na Jordânia.’ (Parte do filme foi gravado em locação lá.)

Então as princesas dos filmes infantis têm evoluído, após Frozen? ‘Ah, 100 por cento, nós esperamos mais – e devemos ter mais,’ Scott concorda. Benj Pasek e Justin Paul, dois dos compositores por trás de La La Land, uniram-se ao lendário compositor da Disney Alan Menken para escrever o novo solo da Jasmine chamado Speechless.

‘É ela dizendo, “eu não serei silenciada.” É muito atual. Ela pode não vencer a batalha, mas ela canta para todos os que vêm depois dela, do mesmo modo que mulheres falando como parte do #MeToo [estão]. Não é divertido para elas… Não há nada a ganhar para elas, seja o que falarem. Elas estão pensando, “Estoy fazendo isso por minhas meninas, por aquela atriz de 15 anos chegando.”

Scott não passou pelo tipo de abuso que tem sido exposto no movimento #MeToo. ‘Eu fui 100 por cento bem tratada como uma jovem atriz e eu devo isso às mulheres que vieram antes de mim e pressionaram isso para frente.’ Isso é, para ela, a ressonância de Speechless. E ela tem os pulmões para vender isso.

Cantar é o super poder de Scott. ‘A música é o meu primeiro amor,’ ela diz. Na infância ela estaria cantando gospel com a banda da igreja todo domingo, ‘e agora, mesmo não estando cantando necessariamente gospel, continua ali, o sentimento de graça e amor… eu realmente realmente gosto do frio na barriga de apresentar ao vivo, como todo mundo eu continuo ficando nervosa.’ Aos 11 anos ela participou de um acampamento da igreja chamado Quer Cantar, Vai Cantar. ‘Foi quando eu percebi, “Oh, isso não é só algo que eu goste de fazer, eu sou boa nisso…”‘

Ela foi ‘marcada’ aos 12 anos num evento da igreja por Kélle Bryan, integrante do grupo de R&B Eternal nos anos 90. ‘Estava cantando só para preencher um intervalo… e então [Bryan] me escutou de outro salão. Antes mesmo de me ver.’ Bryan agenciou Scott à sua agência de talentos. Com seus contatos e apoio, Scott ganhou partes em publicidade antes de ser elencada para Life Bites da Disney, um programa de TV de esquetes para pré-adolescentes com base no Reino Unido.

‘Nós não somos o tipo de família que salta sobre as coisas brilhantes ou pensa, “Ooh, uma grande oportunidade.” Mesmo que seja grande, não significa ser correto,’ ela diz. Mas a Disney, com seu conteúdo saudável, pareceu certo, e Scott aos 17 anos foi para Hollywood para gravar um papel principal no filme Lemonade Mouth da Disney TV, sobre uma banda que se conhece na detenção. Só Bryan a acompanhou. ‘Kélle foi muito protetora. Eu era muito verde, era o meu primeiro filme. Eu aprendi no trabalho; não tinha treinamento, sem escola de teatro,’ ela diz.

Ela é uma enxertadora? ‘Não, eu sou muito instintiva. Eu aprendo minhas falas, tenho uma ideia de o que minha personagem está sentindo e então vejo o que acontece no dia. Eu acho que você deve estar apto a tomar notas, ser flexível e mudar as coisas no percurso. É bem diferente de estar despreparado.’

Ela olha para trás para Lemonade Mouth com carinho. ‘Eu conquistei amigos para a vida toda e as pessoas ainda me reconhecem majoritariamente por esse filme.’ Logo em seguida ela foi ofertada com um protagonismo em Terra Nova, uma série da Fox de ficção científica gravada na Austrália, o que significaria abandonar suas provas. ‘Eu só sabia que deveria que fazer isso,’ ela diz. ‘Nós fomos a uma reunião com meus pais e meu professor chefe, que simplesmente disse, “É, ela deveria ir.”‘ Aconselhada a ter um professor de nivelamento ‘pois atuação é difícil’, a resposta de Scott foi: ‘Não, não, não, não, não, não, não, não. Eu não tenho tempo pra isso, NÃO!”

Mas quando ela estava no início de seus 20, as coisas pararam, após sua participação no filme do Matt Damon, Perdido em Marte, ter acabado no chão da sala de cortes. ‘Eu realmente não os culpo, pois eu fui terrível,’ ela diz. ‘Era tudo muito grandioso, Ridley Scott dirigindo e assim por diante, que eu fiquei muito nervosa e chocada, com a boca seca. Eu congelei completamente. Isso me ensinou quão difícil é para as pessoas que vêm ao set para fazer uma única cena. Agora se eu estou como regular em um filme eu dou o meu jeito para que esse ator sinta-se realmente confortável.’

Aos 21, Scott casou com o defensor Britânico-Jamaicano Spence, seu amado da infância. ‘Ele é um jogador de futebol então as pessoas não esperam por isso’ – ela revira os olhos – ‘mas ele é um ávido leitor.’ Em uma noite comum eles vão assistir aos Artistas do Ano no Sky Arts. Ele vai cozinhar. Spence estudou numa escola chique na região, Scott em uma escola abrangente, mas eles se conheceram na igreja de seus pais.

‘Eu nunca fui essa pessoa que queria casar cedo. Isso nunca foi o que eu havia ansiado, mas não é esse o caminho?’

Eles vivem juntos do lado de fora de Colchester, perto de Ipswich Town. ‘Mas uma transferência pode significar que você precisa levantar e sair instantaneamente. Isso pode acontecer com qualquer um cujo parceiro é um jogador de futebol. Algumas dessas mulheres são incríveis. Algumas trabalham, algumas ficam em casa com as crianças, mas essas mulheres amam suas famílias e isso me enlouquece, esses velhos esteriótipos.’ A ideia de WAGs ser superficiais e mimadas? ‘Sim, e eu estou tão cheia com isso.’

Scott também fica galvanizada discutindo a questão de raça no futebol. ‘Meu marido recebeu abusos no campo, mesmo em casa. Ele teve algo jogado nele em campo.’ A reforma virá somente quando houver um misto de diversidade de pessoas em todos os níveis no futebol, ela acredita.

Ela aponta que vê jogadores como o Raheem Sterling do Manchester City recebendo publicidade negativa sem razões aparentes. ‘Ele compra uma casa e é chamado de fanfarrão, seu colega branco compra uma casa e “ooh que adorável, é para a mãe dele”. Mesmo que a casa do Raheem Sterling fosse realmente para a sua mãe. Quando as pessoas dizem que não é uma questão de raça, eu acho que isso é tolo.”

Apelidados como ‘os novos Posh e Becks’, Scott e Spence estão interessados em usar seus status para promover certas causas. Spence trabalha com caridade e saúde mental na Suffolk Mind, e Scott é uma embaixatriz para a Compassion UK, uma caridade baseada na igreja cujo apelo atual volta-se para replicar no Togo um programa de saúde de maternidade que ela viu funcionar brilhantemente em Ruanda, com doações combinadas pelo Departamento do Desenvolvimento Internacional do Reino Unido até o final de junho. ‘Nós dois mantemos perspectiva sobre querer fazer algo útil, não só para nos sentirmos bem conosco mas por que isso nos inspira.’

Scott tem ligações familiares próximas da África. Sua avó, uma gurajati ugandiana, veio para o Reino Unido com 10 crianças. ‘Minha vó passou por muitos altos e baixos, financeiramente. Mas quando não tinha muita comida por perto ela era tão engenhosa, eles diziam que poderia fazer qualquer coisa a partir de farinha e água… os sacrifícios que ela fez chegando aqui e então dizendo para suas filhas, vocês casem com quem quiserem casar. Agora ela me inspira.’

Nós pausamos a entrevista para que Scott possa trocar seu roupão por uma roupa de caminhada preta Criminal Damage de veludo e itens de treino da Alexander McQueen. ‘Eu amo o meu estilo, acredite. É arte que você veste. Eu aproveito e aprecio.’ Ela agraciou a capa da British Vogue em abril e, para sua sorte, tem um mundo inteiro de tapetes para andar. ‘Ah, quando Aladdin sair vai ser maneiro.’

Não, não vai, eu disse – vai ser mental. ‘Quero dizer,’ ela fala pensativa, ‘minha carreira estará crescendo organicamente, o que é melhor do que só “whoosh!” da noite pro dia.’

Aladdin da Disney nos cinemas em 23 de Maio de 2019.


Fonte: Telegraph UK
Tradução & Adaptação: Equipe Naomi Scott Brasil