16
03
21
Por

A Vogue Britânica em parceria com o YouTube, deram início a uma nova série de masterclasses, a Vogue Visionaries, onde especialistas do mundo da moda, beleza, música e muito mais, compartilham suas palavras de sabedoria e conselhos sobre como ter sucesso em seu campo escolhido. Dividido em cinco capítulos, Naomi Scott aborda seus primeiros passos na indústria, como se dar bem em uma audição, seus papéis determinantes, como lidar com as críticas e os conselhos que ela daria ao seu ‘eu’ mais jovem.

Para quem quer começar a atuar, a aula de Naomi Scott é cheia de anedotas perspicazes e dicas valiosas para aspirantes a artistas. De seus dias cantando no coro da igreja até sua primeira audição (para um comercial de seguro holandês), Scott revela como ser notada, as habilidades necessárias para uma self-tape de sucesso e como lidar com a síndrome do impostor.

O Naomi Scott Brasil decidiu transcrever cada capítulo e fazer da aula da Naomi para o Vogue Visionaries um especial.

CAPÍTULO DOIS – PASSANDO EM UMA AUDIÇÃO

Então, eu lembro que minha primeira audição foi para algum tipo de companhia de seguros holandesa, existe algo em algum lugar em que eu estou com uma mochila, indo pra escola. A ideia da Síndrome do Impostor, que eu acho que todo mundo enfrenta, era algo que não mostrou as caras tão cedo e eu acho que tinha uma parte de mim, quando eu era muito nova, eu não tinha tempo para pensar demais nas coisas. Até que o tempo passa e você fica “oh a mesma garota estava na audição todas as vezes, minha nossa” “eu não fiz direito, eu não consegui aquele papel, por que eu não consegui?” e você começa a pensar excessivamente sobre as coisas e aí você fica “estão todos dizendo que vieram dessa escola de teatro” e eu fico “eu nunca fui a uma escola de teatro!” então você começa a ter todos esses pensamentos mas quando eu era mais jovem eu só entrava e “ah sim, é pra dizer algumas falas” como se… eu estava nervosa, mas eu não estava pensando muito sobre isso. E eu acho que existe certa beleza nisso, quando você faz uma audição confiando nos seus instintos, né? Eu acredito que pra mim sempre foi sobre tomar uma decisão e seguir com ela. Por que muitas das vezes, em audições, você não recebe todo o contexto do que está acontecendo, certo? Você pode receber só uma cena, você pode receber a cena só no dia, e você não sabe o que isso significa em relação ao filme inteiro, à obra inteira.

Então eu acho que aceitar e tomar uma decisão, mesmo que seja errada, talvez eles te dirijam para uma abordagem diferente mas isso normalmente é algo bom, você sabe, se eles estão te dirigindo e dizem “você pode tentar assim”, isso normalmente significa “okay, isso é ótimo, nós gostamos da decisão que você tomou mas nós queremos ver de um jeito diferente.” E ser aberto para trabalhar no lugar, enxergando aquilo como um mini workshop, e não ficar rígido quando eles te pedirem para fazer algo a mais, mas entendendo que eles não esperam que você seja perfeito, se você errar uma fala, confie em mim, eles não vão se preocupar. Então essas são coisas que eu tento me lembrar. Mas é sempre, você está sempre nervoso, o que é uma coisa boa pois significa que você se importa, mas, é, o nervosismo não vai embora nunca, desculpa.

Aceite o fato de que você vai ter uma audição terrível e que a lembrança dela vai te dar vergonha, mas vai ser uma boa história para depois do jantar. Se prepare. Só se prepare, porque… é. Deixe ir. O que está feito, está feito. Você não pode voltar e está tudo bem, você terá muitas outras. Não use muita maquiagem. Não seja duro consigo mesmo. Eu fiz audições para muitos projetos estadunidenses e por isso eu fiz muitas Self-Tapes. E na verdade eu consegui a maioria dos meus papéis com Self-Tape. Talvez eu só não seja tão boa pessoalmente. Mas fazer uma Self-Tape é uma habilidade, na verdade, e com o passar dos anos eu acho que lapidei essa habilidade. Você nem sempre vai poder encontrar um leitor, um ator para trabalhar com ele. Meu marido vai admitir, ele é terrível. Tipo, sinceramente, a voz monótona, ele não me entrega nada em retorno, e eu lembro que uma vez eu só fiquei “você sabe, isso aqui não está funcionando, eu tenho que encontrar um jeito diferente” porque eu sei o que eu quero dos outros papéis, então eu fiquei “tá bom, deixa eu gravar os outros papéis e só deixar espaços.” Então o que eu faço, eu uso o Logitech, você pode usar o GarageBand se você tiver o GarageBand e você pode só se gravar fazendo as outras falas e aí você pode editar isso e cortar para que você tenha espaço para o personagem que você está interpretando.

E desse jeito você também aprende as falas muito bem, e você pode… você pode entregar a performance que você quer do outro lado, se isso faz sentido. E eu acho isso fácil pois significa que eu não tenho que esperar para que alguém esteja disponível para ler comigo. É, só posiciono a câmera, eu tenho uma dessas câmeras que viram a tela, e eu aperto a barra de espaço e gravo e lá vou eu.

Isso funcionou para mim, quer dizer, para ressaltar: eu lembro que eu fiz a audição para Power Rangers com Self-Tape, eu literalmente fiz os cinco outros personagens em cena, entretanto eu nem consigo lembrar minhas vozes dos Power Rangers. Tudo o que eu lembro é que, minha nossa, tinha uma que era muito grave e eu ficava “Ei, você tem que pegar! O mundo está acabando!” algo assim e aí eu ia para uma super aguda, em que eu fazia algo meio Valley Girl. Eram todos os sotaques americanos diferentes que eu sabia, que eu conseguia pensar. Mas funcionou. Eles me contrataram. E sinceramente, alguns anos depois eu estava conversando com um dos produtores e eu falei “ah você sabe, porque todas as vozes eram minhas” e ele ficou “Quê?” e eu fiquei “é”, todas as vozes diferentes, ele não fazia ideia. Ele disse “eu achei que você tinha conseguido várias pessoas no quarto”. Isso funciona pra mim, e eu acho… exige um pouco de prática mas significa que você meio que pode controlar um pouco mais, o que… o que, você sabe, é legal ter a espontaneidade de um ser humano, é claro, mas isso não é sempre possível então esse é um meio que eu consigo resolver as Self-Tapes.

Normalmente com as Self-Tapes eu só garanto que eu tenha um fundo plano, basicamente: a menor quantidade de distrações, melhor. Novamente, você não pode… nunca vai ser perfeito, e está tudo bem. Eles não estão procurando que você faça perfeitamente e que seja essa perfeição toda, é só, você sabe, eles querem pegar a essência da sua performance, sabe? Então, é, eu normalmente faço com um fundo plano. Dependendo do que é, ter meu cabelo para trás para que eles possam ver meu rosto. Se forem duas cenas diferentes, eu posso fazer uma mais fechada, posso fazer outra num plano médio, só para mudar um pouco. Eu acho que sempre tem um helicóptero ou algo acontecendo no meio da minha melhor gravação. Sempre irritante. Mas é, só lide com isso.


Fonte: Vogue Britânica
Tradução & Adaptação: Equipe Naomi Scott Brasil