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A Vogue Britânica em parceria com o YouTube, deram início a uma nova série de masterclasses, a Vogue Visionaries, onde especialistas do mundo da moda, beleza, música e muito mais, compartilham suas palavras de sabedoria e conselhos sobre como ter sucesso em seu campo escolhido. Dividido em cinco capítulos, Naomi Scott aborda seus primeiros passos na indústria, como se dar bem em uma audição, seus papéis determinantes, como lidar com as críticas e os conselhos que ela daria ao seu ‘eu’ mais jovem.

Para quem quer começar a atuar, a aula de Naomi Scott é cheia de anedotas perspicazes e dicas valiosas para aspirantes a artistas. De seus dias cantando no coro da igreja até sua primeira audição (para um comercial de seguro holandês), Scott revela como ser notada, as habilidades necessárias para uma self-tape de sucesso e como lidar com a síndrome do impostor.

O Naomi Scott Brasil decidiu transcrever cada capítulo e fazer da aula da Naomi para o Vogue Visionaries um especial.

CAPÍTULO TRÊS – PAPÉIS DETERMINANTES

Tinha um vídeo meu no YouTube cantando no musical da minha escola. Nós fizemos o Sister Act 2. Eu amo esse filme. E eu interpretei o papel da Lauryn Hill. Rita, eu acho que Rita era o nome dela. Então tinha um vídeo em que eu cantava ‘Joyful Joyful Lord’ e a partir disso o meu agente estadunidense, bem, ele não era o meu agente na época mas ele trombou com esse vídeo e ele tinha um roteiro desse filme do Disney Channel, Lemonade Mouth, e pensou “oh, ela consegue cantar, e tem um papel aqui que encaixa com as descrições dela” e aí ele procurou meu agente e eu lembro que eu fiz uma audição por Skype com todos os executivos da Disney. Tá vendo? Ou é Skype, ou Self-Tape… e eu lembro que foi… você sabe, eu assisti Operação Cupido tantas vezes, com a Lindsay Lohan, e esse é o verdadeiro motivo para eu conseguir fazer um sotaque americano. Eu só estava copiando, porque eu queria tanto ser a Hallie. Tanto que eu cortei meu cabelo, as pessoas que conhecem Operação Cupido vão saber disso, tipo eu cortei meu cabelo onde ela tinha aquela franjinha. Enfim, fugindo do assunto. Então sim, eu fiz a audição por Skype e consegui o papel e… e eu lembro, eu era tão inexperiente. Eu não sabia o que era uma marcação, eu não sabia estar ciente sobre onde a câmera estava, bloqueando alguém. Eu era tão tão tão inexperiente. Mas eu basicamente aprendi no trabalho e a diretora, depois, eu lembro, ela falou pra mim, ela estava tipo “é a primeira semana” ela disse “ah não, o que eu fiz!? Eu contratei essa garota que não sabe o que está fazendo”, ela disse “mas você aprendeu tão rápido” e ficou tudo bem no final.

Têm muitas pessoas na minha jornada que eu posso apontar no sentido de que lutaram por mim. Engraçado, eu consigo pensar em muitas mulheres, algumas boas diretoras de elenco que se sobressaem na minha mente, a Nina Gold é alguém que sempre lutou por mim e eu a amo. Teve uma executiva da Disney, o nome dela é Erin Westerman, ela é uma boa amiga minha agora mas ela foi uma das primeiras reuniões gerais que eu tive em L.A. e nós nos demos muito bem e eu lembro que tinha um papel que eu estava tentando e eles disseram “ah, você sabe, ela não é a certa para esse”, eles realmente não queriam me ver tentar, e ela ficou “não!” ela disse “Eu preciso que eles vejam a Naomi” e ela meio que me colocou na frente do diretor e do roteirista. Eu não ganhei o papel, mas eu consegui o teste gravado para o papel, o que então informou muito do que estava por vir.

Na audição para o papel da Princesa Jasmine em ‘Aladdin’, você sabe, obviamente eu sabia que tinham milhares e milhares de outras pessoas fazendo o teste também mas, sinceramente, eu não foquei nisso. Você não pode focar nisso. Você só tem que focar em seja lá qual a versão que você… eu tinha uma visão muito clara da versão que eu queria para a Princesa Jasmine que eu gostaria de ver, e segui com isso. Eu também estava confortável sobre pensar “ok, essa é a minha versão. Se não é isso que eles estão procurando, então tudo bem.” Eu não queria me curvar para algo que eu não sentisse que fosse certo para essa personagem ou ao menos para o que eu gostaria de ver nessa personagem, especialmente sendo alguém que amou a personagem ao crescer. E na verdade isso determinou… isso me ajudou a ser consistente com a decisão que eu tinha feito e que eu não iria hesitar com ela. Claro que eu conhecia a história, mas eu não necessariamente sabia o que eles estavam buscando. Mas para mim, as cenas que eu recebi, eu pensei “eu quero que ela seja… que ela tenha confiança sobre si mesma. E qualquer tipo de comentário brincalhão ou espirituoso que ela faça, eu quero garantir que venha com o senso de controle, ao contrário dela ser má ou só ‘eu sou mais inteligente que você’, sabe? e isso foi importante para mim. Eu quis que ela parecesse madura, e eu sei, eu acho que ela é bem jovem, né, mas eu não queria que… apesar de que certamente existe uma ingenuidade ali, no aspecto da jornada que ela tem. Eu queria que ela fosse de alguma forma madura, especialmente se ela quer ser uma líder, é como que “bom, você tem que mostrar que você pode ser uma líder.” E eu tinha sempre isso em mente. Mas de novo, quando você está em audição, você não… você captura algumas coisas mas você não pode… você não sabe o contexto de tudo então você não pode pensar nisso em excesso, você só tem que tomar uma decisão e ir com ela e foi o que eu fiz.

Eu acho que com o passar dos anos eu tenho aprendido como e quando ser assertiva. E isso é algo que leva tempo, então eu também senti que você não pode ser duro consigo mesmo. Se você teve experiências em que “ah, eu queria ter dito isso, eu queria ter dito aquilo”, todos nós fazemos isso, todos nós olhamos para trás mas isso faz parte do crescimento. Eu acho que a coisa mais importante é entender o que você precisa para a sua atuação e para o seu trabalho. Outra vez: isso leva tempo, isso exige saber o que não funciona e talvez tendo uma má experiência. Mas tudo o que temos é o poder de dizer ‘não’. Todos ao seu redor, seus representantes, eles terão alguma ideia de onde eles veem a sua carreira indo ou o qual tipo de ator ou qual tipo de artista que eles enxergam em você. E eles vão criar isso nas próprias cabeças ainda mais se você não for claro sobre quem você quer ser. Então você precisa ser claro e vocal sobre como você se vê. E isso só ajuda as pessoas ao seu redor, e sua equipe, a colaborar para transformar isso em realidade. Eu acho que, similarmente, quando você está em situações no set, e isso é muito difícil e se você está, você sabe, todos nós já nos sentimos desconfortáveis ou não tem certeza sobre algo e se você se posicionar você meio que sente um “você está sendo um pouco difícil” e eu diria que nunca vai ser tão ruim quanto você pensa. Você precisa escutar esse instinto e se posicionar caso você não se sinta confortável.

Seja qual for o retorno ruim eu garanto que é falso, e são só eles no momento, talvez alguém tentando tirar algo de você porque eles acham que precisam, mas você se surpreenderia, as pessoas também seguirão se você definir o tom. Só se lembre que todo mundo teve o tempo de fazer o trabalho deles, seja lá o que está acontecendo, eles tiveram o tempo de posicionar aquilo. Agora é você na câmera, ou você interpretando, agora é a sua hora. Então você precisa se garantir que está se protegendo e fazendo tudo o que é necessário para fazer o seu trabalho. Minha nossa, eu lembro de receber aquela ligação. Eu estava em Berlim e recebemos a confirmação para a capa da Vogue Britânica, o que é incompreensível, porque em primeiro lugar eu estava “calma, o Edward sabe quem eu sou?” Foi a primeira coisa que eu… tipo “quê!?” Então aqui estava eu, no set, para a minha capa da Vogue Britânica, loucura, com o lendário Nick Knight na câmera. É um tipo de atuação, eu diria, porque você está pensando sobre diferentes emoções que você quer retratar.


Fonte: Vogue Britânica
Tradução & Adaptação: Equipe Naomi Scott Brasil