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Naomi Scott participou da décima primeira temporada do Table Manners with Jessie Ware. Apresentado pela cantora britânica Jessie Ware e sua mãe, Lennie, o podcast fala sobre comida, família e a bela arte de bater um papo, direto de sua própria mesa de jantar.

No décimo terceiro episódio, Naomi fala sobre ter crescido como filha de pastor, a comida de sua avó e as primeiras lembranças de fazer Chapati juntas. Ela também fala sobre seu marido que ela conheceu aos 16 anos na igreja e que cresceu cercada por música gospel em Hounslow.

Jessie Ware: Você entrou e falou “eu só não posso consumir laticínios”.
Naomi Scott: É o seguinte, saibam que eu não sou médica. Mas eu !!! com TSW.
JW e Lennie: O que é isso?
JW: Parece nome de banda.
NS: Eu sei! TLC.
L: Aquela que canta ‘No Scrubs’?
NS: Exato! Então, é a chamada Resistência a Esteróides Tópicos (Topical Steroid Withdrawal). Eu amo como estamos indo direto na minha ficha médica, como primeiro tópico.
L: Ah…
NS: Não, tudo bem, eu adoro. Bom, eu cresci com eczema e os doutores…
L: Você usou esteróides.
NS: Creme de corticosteróides, aos quais eu tenho uma opinião forte sobre. E com o passar dos anos o meu corpo ficou, como se diz… viciado ao creme com esteróides. E aí o seu corpo para de…
L: Você não funciona sem eles.
NS: Exato. E receitaram esteróides mais fortes e etc. Daí o seu corpo só vai “Nah, isso não funciona mais”. Chegou num ponto que eu tinha, eu acho, 23 anos, e meu corpo basicamente erodiu. Isso foi depois de gravar Aladdin. E eu e meu marido ficamos “ok, nós temos que ser naturais, para deixar o corpo se curar naturalmente”, então eu afastei todos os meus esteróides e outros cremes imunodepressivos. E aí surgem os sintomas da dependência, que ninguém nunca te avisou sobre. E como você pode ver, minha pele…
L: Sua pele é linda!
NS: Quer dizer…
JW: É muito bonita.
L: Olha essa pele!
JW: Mas isso foi tudo curado a partir de uma dieta?
NS: Bom, não. Está sendo curado pela paciência, e parar de passar os cremes.
L: Mas o que você faz se você estiver com coceira? Se você estiver tendo uma reação a alguma coisa?
JW: Mas eu lembro que na festa da Vogue você estava sentindo a coceira, e você disse “Meu eczema está forte”.
NS: O que é engraçado porque nessa época eu não sabia que eu tinha resistência aos esteróides. Eu nem sabia que isso existia. Esse assunto não recebe muita atenção por muitos motivos. Mas é um dano nervoso. Então os cremes esteróides entram em contato com a pele, e a pele é o seu maior órgão. Não é só uma reação alérgica, é também um dano nervoso, porque a coceira é tão profunda que você não consegue alcançá-la.
L: Ui!
NS: É desconfortável, desculpa, estamos prestes a comer e eu tipo “eu lasco o meu corpo todo”…
JW: Oh não.
NS: Mas eu acho que é importante falar sobre isso, porque muitas pessoas estão passando por isso, e muitas pessoas estão passando por isso sem nem saber que seja Resistência a Esteróides Tópicos. Eles acham que seja só um eczema severo, mas na verdade é do creme de esteróides que você está usando. Então, você vê minha elasticidade quando eu sorrio. Eu não tenho uma elasticidade normal, parece que sou muito enrugada.
L: Por causa dos esteróides?
NS: Esse é o processo de recuperação. Então eu estou há três anos nesse processo, e eu faço um tratamento natural, o que significa que eu não coloco nenhum hidratante na pele.
JW: Quê!?
L: Por quê?
NS: Porque isso força o meu corpo a criar os próprios óleos e se hidratar. É maluco porque, diante das câmeras, meu rosto é o meu trabalho. E tem sido interessante através dos anos…
JW: Como o seu rosto reage à maquiagem? É um pesadelo? Porque você parece radiante para mim.
NS: Então… outra coisa estranha sobre isso é que, em 2019, que é quando eu viajei muito em questão de promover coisas, foi como uma reação atrasada, porque eu não estava colocando cremes nem nada e minha pele estava muito boa, eu estava apta a funcionar sem eles. Chegou 2020, tudo desandou.
L: Fomos pegos por uma pandemia.
NS: Sim! Literalmente eu passei pelos meus piores sintomas. Eles não são só relacionados à pele, eles envolvem outras coisas. Então você achou que foi porque eu teria um quê de atriz de “ai eu não posso tomar isso, não posso comer aquilo”.
L: Têm muitas pessoas assim.
NS: A questão é que laticínios são o gatilho principal.
JW: E isso se associa muito com o eczema, né?
NS: Exatamente! Porque laticínios não são bons, no geral, para mim. Mas para isso, por exemplo, eu acho tão difícil de negar. Eu sou uma comilona, eu como… eu amo tanto comida, que eu mandei um email para a minha equipe perguntando “mas tem que ser lá?” e eles disseram “o podcast só funciona se você for lá”.

JW: Então me diga, sobre o passado. Sua ascendência. Como funciona quando você come com a sua família?
NS: Oh, minha mãe faz… sabe uma coisa que me mata?
L: O quê?
NS: Pimenta. Porque a pimenta inflama e faz o corpo ferver.
L: Dá coceira.
NS: É… E é tão triste, porque o Dahl da minha mãe… E o curry… minha nossa, eu amo a comida da minha mãe.
L: Eu preciso da receita do curry. Você acha que sua mãe me passaria?
NS: Sim! Com certeza!
JW: Certo, então me diga como era, quando você era criança, quem preparava aquela típica refeição de família na sua casa?
NS: Hm… Minha avó.
JW: Você morava com a sua avó?
NS: Não, não! Desculpa, não, eu quis dizer que nós sempre íamos para a casa da minha avó para comer. Mas na nossa casa, era estranho, porque meu pai é inglês e minha mãe é indiana, então…
L: De qual parte da Índia?
NS: Ela na verdade é africana.
L: Ah, então você é asiática de Uganda?
NS: Sim! Fico tão contente que você saiba disso! (…) Então ela veio de Uganda, mudou-se para a Inglaterra quando ela tinha onze anos, minha avó com seus dez filhos, cerca de dois meses antes de Idi Amin perder as estribeiras, então eles organizaram um jeito de fugir.
L: Se eles tivessem sido pegos, ele teria feito algo.
NS: Ele teria, provavelmente. Não sei.
JW: Você não estaria aqui.
NS: Eu não estaria aqui. Ou eu estaria de uma forma diferente.
JW: E como eles chegaram ao Reino Unido?
NS: Eu não sei pra onde eles foram em primeiro lugar, mas eles cresceram em Hounslow. E meu pai é de Wimbledon, ele é super britânico, então eu cresci… minha casa…
L: Onde eles se conheceram?
NS: Eles se conheceram na igreja, na verdade.
L: Então você é cristã?
NS: Sim! Eu diria que sim, apesar dessa palavra ser muito forte. É interessante para mim… Sim, eu diria que sim.
L: Eu acho que a dica foi na parte da igreja. Eles não se tornaram hindi, ou…
NS: Não, não, não. Ela… E isso é outra coisa interessante. A família dela era hindu. Mas eu diria que, em questão de prática, eu não tenho certeza. Minha avó disse a todas as suas filhas, pois ela teve nove filhas e um filho, e ela disse “Você pode casar com quem você quiser casar”, não tinha aquela pressão. Então eles estão ao redor do mundo, casados com pessoas de diferentes nacionalidades. Mas eu também sinto que teve uma questão de assimilação, ela só tinha 11 anos, e minha mãe é muito inglesa também. É uma mistura interessante. Eu acho que eu tive refeições muito britânicas na infância, era uma casa muito britânica. Só quando eu ia para a casa da minha avó e, uma das minhas primeiras lembranças é de fazer chapatis com minha avó, é tão… tão adorável. E o curry da minha avó era o melhor! Era tão bom.
JW: Ela está viva?
NS: Não… ela morreu há uns… seis anos?
JW: E ela veio para cá com o seu avô?
NS: Eu acho que eles vieram antes e meu avô veio depois, mas eu não tenho certeza. Mas foi a minha avó quem realmente fez o trabalho pesado de conseguir os passaportes. Teve uma outra família que os ajudou, financeiramente, a fugirem também. Mas a minha avó era essa indiana pequenininha, ela era tipo tamanho PP, e era incrível.
L: Ela vestia saare?
NS: Sabe, ela usava quando era mais nova, eu lembro dela usar saare. E aí ela envelheceu, não muito, mas sim, minhas lembranças dela é que na casa dela tinham todos esses deuses hindus diferentes. Você só tem essas memórias, sabe? E sempre o cheiro, né, quando falamos de infância sempre tem o cheiro. Ontem estávamos andando de bicicleta pela East London e eu falei para o Jordan “eu sinto cheiro de chapatis”. Eu pude lembrar daquele cheiro. Mas sinceramente, curry, pra mim, feito em casa, é… (estala a língua)
JW: Você acabou de mencionar o Jordan.
NS: Sim.
JW: (Cantarola) Que é o seu, muito charmoso, marido.
NS: (Gargalha)
JW: Minha nossa, mãe, se ele tivesse vindo a senhora ficaria muito feliz.
L: Ele é bonito? Deixa eu ver ele.
NS: Vou te mostrar fotos.
JW: Ele deveria ter vindo!
NS: Não diga isso… ele ficaria… ele ficaria meio…
JW: Mas ele é um de seus gerentes, não é?
NS: Bom, sim. Tecnicamente.
JW: Poderia tê-lo trazido pelo trabalho.
NS: Eu poderia! Ah, deixa eu te mostrar fotos dele.
JW: E ele… ele é um futebolista semi-profissional?
NS: Profissional, sim.
JW: Profissional!
L: Ah, Jessie! O homem é perfeito.
NS: É. Esse é o meu marido.
L: Meu Deus.
JW: Sim, eu sei! Traga-o aqui, rápido! Tragam ele pra cá!
L: Onde vocês se conheceram?
NS: (Gargalha) Na igreja!
JW e L: Meu Deus!
JW: Eu pensei que seria algo como… jardim de infância.
NS: Jardim!? Eu conheci o Jordan quando eu tinha 16 anos!
JW: Isso é tão adorável…
NS: Nós começamos a namorar quando eu tinha 17.
JW: E vocês se casaram bem cedo, né?
NS: É. Aliás, hoje eu fico, minha nossa, se uma moça de 21 anos vier me falar “é, ahm, eu acho que vou me casar” e vou responder “oi? Perdão?” Mas na época, também para as pessoas que nos conheciam, em questão dos nossos trabalhos, nós tivemos que crescer muito rápido. Então eu acho que nós amadurecemos muito rápido, então para as pessoas que nos conheciam isso fazia sentido.
JW: Ele era um jogador profissional.
NS: Sim, sim.
L: Ele estava em qual time?
NS: Na época… West Ham? Quando nos conhecemos ele jogava no West Ham.
L: Eu ia dizer que ele era de West Ham
NS: Você ia? Você teve a sensação…
L: De que ele tinha sido um jogador do West Ham? Sim.
JW: Então você ia à igreja com frequência?
NS: Eu sou filha de pastores. Eu sou uma PK (Pastor’s Kid), eu sou uma filha de pastores.
JW: Nossa!
L: Foi onde ela conseguiu… cantar.
NS: Eu cresci na igreja. E comecei a cantar lá, sim. Eu cresci com música gospel.
JW: Ahh! Okay! A ficha caiu!
NS: Então eu cresci com Mary Mary, Kim Burrell… Gospel popular. É a minha bagagem.
JW: Quem estava na banda da sua igreja? Porque sempre começa assim, alguém na banda da igreja…
NS: Não. Era mais… tio Martin no baixo. 16 anos, mandando um (faz barulho do baixo). Não é como as igrejas americanas. Era mais simples. E a música com a qual eu cresci definitivamente foi nessa pegada de Pop-Gospel.
JW: E quando você recebeu seu primeiro solo?
NS: Quando eu recebi meu primeiro solo? Oh, eu não me lembro!
JW: Você não lembra qual foi!?
NS: Não lembro! Por que eu só lembro de cantar na igreja. E então, todas as vezes eu tinha que puxar uma música. Mas eu lembro da primeira vez que eu realmente cantei, pra valer, como num show. Nós tínhamos esse acampamento de verão chamado “Quer Cantar, Vai Cantar”.
JW: Parece ótimo.
NS: Eu sei, eu amo. E a moça que estava coordenando me deu “I Say a Little Prayer”, da Aretha Franklin.
L: Uau!
NS: A propósito, que música difícil. Cruelmente difícil.
JW: Foi sabotagem ou…?
NS: Não, ela estava tipo “eu acredito que você consegue”.
L: Por que é tão difícil?
JW: Pela distância das notas.
NS: Para uma garota de 12 anos, essa parte (canta), e como o refrão é, (canta).
L: É muito agudo, sim.
NS: Sim. E eu lembro de apresentar e os meus pais ficaram tipo “oh, ela consegue cantar. Nós sabíamos que ela conseguia cantar, mas ela pode cantar mesmo”.
JW: O Jordan estava na plateia?
NS: Não. Eu acho que isso foi antes de nos conhecermos. Mas ele… a primeira vez que ele foi para a igreja eu estava cantando no palco e isso é hilário. Eu lembro o que eu estava vestindo, terrível a propósito. Era de uma loja.
L: Onde foi isso, em Hounslow?
NS: Não, tínhamos nos mudado para o leste, então… Eu cresci em Hounslow e aí nos mudamos para Ilford. Minha mãe encontrava a salvação em qualquer lugar que fosse. Mas o vestido que eu usava era bem barato, (…) cinza, decotado.
JW: Você usava decote? Na igreja?
NS: Eu acho que sim. Ele era cinza, justo, e de mangas compridas… Então ele entrou, quer dizer, ele já estava lá, muito alto.
JW: Não dá pra não vê-lo.
NS: Então eu o notei, e eu fiquei, “tem um adulto ali” (gargalham), mas eu achei que ele fosse muito mais velho.
L: Você lembra o que estava cantando?
NS: Ah, não, eu não lembro. Mas aí meu pai tinha esse negócio de “ok, vai lá dar oi pra alguém que você não conhece!” (gargalham)
L: Oh não!
JW: Mas ela estava tipo “eu vou direto no Jordan”.
NS: Ir direto no Jordan. Mas ele estava com a tia dele, que agora é a minha tia. Tia Paula, um salve, tia Paula. E eu pensei que eles eram irmãos, e eu fiquei “oh esse é o seu irm…” Eu não sei, eu acho que estava tentando me entrosar com a tia, sabe? E ele era muito reservado, muito reservado e quieto. E eu fiquei intrigada com ele, tipo “esse cara é estranho”. E aí eu descobri que ele era jogador de futebol e fiquei “ohh, não sei não.” (…) Eu acho que eu tinha essa ideia na cabeça de como seria um jogador de futebol, e eu fiquei “ah não”, mas depois eu fui ficando “na verdade ele é bem legal”.
L: Ele deve ter um físico muito bom, né?
JW: Nossa, minha mãe fazendo as perguntas que nós…
NS: O físico é importante!
L: O físico, ele é um jogador.
NS: E tem algo sobre a forma de um homem.
JW: Qual a altura dele?
NS: 1,90.
JW: E você é miudinha.
NS: Eu sou…
JW: Você tem que subir num degrau para beijá-lo. (…) Ok, então ele não falava muito. O que aconteceu no primeiro encontro?
NS: Eu lembro do primeiro encontro. Nós fomos para um restaurante italiano perto da casa dele.
L: Italiano? Não era um Pizza Express?
NS: Eu amo o Pizza Express, aliás. E eu estava tão nervosa que eu não… porque ele me viu em tantas situações diferentes, todo mundo me conhece pelo tanto que eu consigo comer. Eu como muito, eu consigo comer mais do que o meu marido, eu consigo comer mais do que qualquer um. E se eu estiver com fome eu posso comer muito. E ele me viu em ação e eu sou como um filhote de dinossauro quando eu como. Mas como eu estava muito nervosa eu comi só uma fatia e eu acho que ele ficou meio “o que tem de errado com ela? Por que ela não está comendo?” E isso porque… tudo o que eu lembro é que eu estava tão nervosa que ele me levou para casa e eu estava muito nervosa, e eu só corri para dentro de casa.

JW: Voltando para a sua infância, sua mãe cozinhando pratos britânicos. Qual era o seu favorito?
NS: Meu favorito era… e eu acho que está sempre ligado a memórias. Era um assado no domingo, depois da igreja. Sempre, a igreja sempre está presente.
L: E como vocês faziam isso, com a igreja? Porque eu…
JW: Ela deixava pré-assado.
NS: Não era tão sofisticado.
L: Vocês iam à igreja, que horas a igreja terminava?
JW: Porque você é a filha dos pastores, então…
NS: 12h30?
L: E ela tinha que preparar a comida?
NS: Sim, então ela ia direto pra casa, colocava o frango no forno. Ela saía da igreja mais cedo.
L: Isso é o que as mulheres têm que fazer, precisam sacrificar…
NS: O seu momento de socializar depois da igreja. (Gargalham) Então ela ia pra casa, colocava o frango no forno, e a Mauryn sempre vinha.
JW: Quem é Mauryn?
NS: Ela era a senhora da igreja, que…
L: Era solitária?
NS: Sim, ela vivia sozinha, ela era muito uma dona de gatos. Mas ela era incrível, ela era muito forte, e eu sempre lembro da gente preparando o frango juntas. Cortando o frango juntas. E eu já comia muito. A pele, a pele é a minha parte favorita. Então essas memórias sobre o assado de domingo. É engraçado. Minha refeição favorita são ou os curries indianos ou um assado inglês bem feito. Eu amo um assado inglês.
JW: Você faz bem algum desses? Você é uma boa cozinheira?
NS: Eu sou… ok. Eu acho que naturalmente eu sou uma boa cozinheira, mas eu não investi tempo nenhum nisso.
JW: Mas eu não sei, você pode agora comprar os seus assados.
NS: Não, eu faço um bom assado. Curry é algo que eu ainda não… Eu sei como fazer um curry básico.
JW: Tem algo a ver com a estação da pimenta, com o período…
NS: Tem.
L: Eu não acho que eu seja a melhor cozinheira para curry.
JW: O seu curry não é o melhor.
L: Mas eu acho que fazer um assado com manjericão, é o meu favorito.
NS: Como você faz batata assada?
JW: Ela fez umas muito boas esse ano.
NS: Ok, eu preciso saber.
L: (…) Eu acho que o segredo, pra mim, tem sido usar óleo de colza. Óleo de colza pode chegar a temperaturas mais altas.
NS: Quais batatas você usa?
L: Maris Piper.
NS: É a Maris Piper, né. Eu tentei algumas diferentes, mas Maris Piper é a correta.
L: Ferve elas e deixa cozinhar por uns três ou quatro minutos depois que ferver.

JW: Eu quero saber: pra qual restaurante você vai assim que eles começarem a abrir?
NS: Ok, eu amo comida japonesa. Ao Roka.
JW: Eu nunca fui ao Roka! (…)
NS: Eu amo comida japonesa. Minha nossa. Eu quero ir a tantos lugares.
JW: Tem muitos perto da sua casa?
NS: Não são muitos. Tem o Sheesh.
JW: Minha nossa! Eu ouvi falar desse! É bom?
NS: Sim, é ótimo. Eu amo como eles fazem a salada, é ótimo. E eles costumavam fazer um pudim de pão, mas eles não fazem mais, o que é tão triste porque era o meu favorito.
JW: Por que você não traz de volta?
NS: Eu não sei porque eles tiraram! Era tão popular.
JW: Seria bom se Naomi Scott trouxesse o pudim de pão de volta.
NS: Eu tenho que tentar alguma coisa?
JW: Sim.
NS: Fora isso, não tem muitos lugares para comer perto de casa.
JW: Então você cozinha muito?
NS: Sim! Nós cozinhamos também.
JW: O Jordan cozinha bem?
NS: Sim, ele é um bom cozinheiro. Então, no meio da semana é mais… salmão cozido, batata doce…
JW: Mais simples.
NS: Mais simples.

JW: Eu quero te perguntar. Fazer podcasts é como uma nova aventura para você. E pelos três primeiros episódios, é muito bom.
NS: Obrigada!
JW: É muito bom! E eu não costumo escutar ficção.
NS: Nem eu!
JW: (Gargalha) Ok, então você está estrelando nele mas também produzindo. Você que escreveu? Quem escreveu?
NS: Não.
JW: Como isso surgiu?
NS: Ok, então, como você, eu nunca tinha escutado um podcast narrativo. Mas eu estava gravando um filme no final do ano passado.
JW: Você pode dizer qual é?
NS: Sim, se chama ‘Distant’, com o Anthony Ramos. Eu não sei se vocês viram Hamilton.
JW e L: Sim!
NS: Ele também está em In The Heights, que está pra sair. Ele é muito, muito talentoso. Ridículo, irritantemente talentoso.
L: Ele dança ou canta? Parece que ele tem um estilo de hip hop em tudo.
NS: Sim, eu diria que ele tem jeito pra hip hop… Mas sim, ele é um bom dançarino. Ele é um ótimo cantor, um incrível cantor. E ele também é muito talentoso como ator. E nesse filme nós temos duas pessoas no espaço, muito bom para o contexto de covid. Foi gravado em Budapeste e o produtor com quem estávamos trabalhando tem essa empresa de podcast chamada QCode e eu estava, basicamente, falando o tanto que eu amo a Olivia Cooke, mas nós sempre estamos fazendo testes para os mesmos papéis, então nós nunca…
JW: Sério?
NS: É, e a gente nunca trabalhou junto, e ele falou “Talvez eu tenha algo em que vocês possam trabalhar juntas”, então ele nos mandou essa história curta, e tivemos uma reunião no zoom com o roteirista, James Bloor, então ele é o criador, James Bloor. E ele é um ator e escreveu esse roteiro para o namorado que ele acabou terminando com ele depois, e esse roteiro era sobre a sua jornada pessoal, tem muito a ver com saúde mental e ele seria capaz de falar muito melhor sobre isso, mas o que nós amamos no projeto foi que tinha um tom tão específico. Então o estilo de escrita, de comédia sombria, é tão britânico, tão engraçado, tendo tantas conversas diferentes. E é tão único que ficamos “minha nossa, eu amei isso. Eu tô dentro.” Então a Olivia já estava comprometida com o projeto e nos conhecemos pelo Zoom e conversamos, estávamos todos muito entusiasmados com o projeto. E tinha um terceiro papel que estávamos falando sobre quem assumiria e a candidata principal era a Bel Powley. Eu a amo desde ‘O Diário de Uma Adolescente’.
L: Ela é tão boa…
JW: Quão boa ela é em ‘O Rei de Staten Island’?
NS: Eu não assisti ainda!
JW: Minha nossa! Ela é incrível!
NS: Eu vi os trailers! A propósito, ela tem o meu coração. Eu amo e respeito muito as duas. E foi tão legal porque nós todas meio que tentamos os mesmos papéis e é muito legal estarmos juntas e ficar “Podemos trabalhar juntas. Estamos produzindo.” E nós acreditamos. Não conhecíamos muita coisa sobre podcasts narrativos, mas sabíamos que esse era muito bom e é definitivamente algo de que gostaríamos de fazer parte. E o que a QCode faz é que eles tem esse podcast narrativo e eles conectam com atores, e aí dá pra vender como uma série de TV e é uma prova real.
JW: Eu posso imaginar como uma série de TV, estrelando…
NS: Sim, e meio que essa é a ideia. Nós amamos. E quando você está participando de algo, especialmente produzindo, você tem que acreditar tanto nisso, e nós amamos tanto o projeto.
JW: Então, antes de você chegar eu tentei explicar na introdução. Mas quando eu expliquei, minha mãe ainda não ouviu, mas ela falou que seria sobre esquizofrenia. Eu não sei se é.
L: É sobre as vozes na sua cabeça, né. Ou sobre lidar com o ego. Me disseram que o jeito que os pais criam os filhos… você não vai ter seus pais com você quando for adolescente, você tem que tomar decisões, mas seu pai está sentado no seu ombro te dizendo o que fazer e o que não fazer. As coisas boas e as coisas ruins. E as coisas ruins são as pessoas te empurrando e dizendo “vai lá, tenta isso”, e a coisa boa sou eu sentada no ombro da Jessie, dizendo “não faça isso”.
JW: É uma abordagem muito esperta para tratar esse diálogo interno, esse conflito, a moral e a ansiedade. É incrível que com episódios curtos você se comprometa com esses personagens. Olivia Cooke faz a personagem da Dark Voice. Você, como Lydia. E então a Soft Voice que vem um pouco depois. É tão dinâmico. Eu imagino tudo muito bem, sabe?
NS: A nossa meta nunca foi “Nós vamos conseguir milhões de pessoas ouvindo”, o que nós queríamos é que as pessoas que se engajarem com o podcast conectem-se com ele da forma que nós nos conectamos. E é isso que estamos descobrindo. Estamos descobrindo pessoas que estão se conectando com ele e estão realmente amando. Todo mundo, desde a minha sogra até os meus amigos que são muito ligados em podcasts. São muitos temas que são abordados. E essa ideia de vozes, que também são vozes do passado… basicamente é sobre essa corretora de imóveis, 25 anos, chamada Lydia, que tem uma voz chamada Soft Voice que a diz o que fazer.
JW: Perfeccionista.
NS: Um dia, a Soft Voice desaparece e é substituída por outra voz.
JW: Serão quantos episódios?
NS: Dez episódios. São lançados às quartas. E é interessante você falar que muitas pessoas possam se conectar de alguma forma, com a conversa sobre saúde mental. E isso é algo do James, vem da cabeça dele, e são muitos temas diferentes, muitas discussões que surgem do projeto, e como eu disse é uma jornada muito pessoal.

JW: Última ceia, o que você comeria?
NS: Última ceia da vida. Eu posso escolher o que eu quiser?
JW e L: Sim.
NS: E eu posso considerar que eu não vou ficar cheia?
JW: Sim.
NS: Ok, porque eu teria… eu preciso de uma refeição assada, em algum lugar do dia. Eu preciso de um jantar assado completo, com o macarrão com queijo da minha sogra. Ela faz o macarrão com queijo mais incrível.
JW: O que ela faz para ele ser tão bom?
NS: Eu acho que tem algum segredo com a mostarda.
JW: Ah sim.
NS: Mas é tão bom! E aliás, ela não cozinha muito. Ela não cozinha.
JW: Mas esse é o ponto forte.
NS: Esse é o ponto forte, e é incrível. Então seria a versão caribenha de uma ceia de natal. Completo. Tem que ter curry em algum lugar.
JW: Seria o da sua mãe ou o da sua avó?
NS: Seria provavelmente o dahl da minha mãe.
JW: E se você pudesse colocar pimenta, colocaria?
NS: Com certeza! Quero tudo. Dahl… o que mais…. chapatis. Eu posso comer o curry no café da manhã, eu comeria no café da manhã.
JW: Eu amo curry no café da manhã também.
L: É estranho, é estranho que na Índia tem o hábito de…
JW: Não é estranho.
L: Eu acho estranho porque é uma comida muito pesada.
NS: Não, mas tem tipos diferentes, por exemplo os vegetarianos. Tem o dali, que seria dahl… e curries vegetarianos.
JW: Ok, então temos curry para o café da manhã, assado caribenho para o almoço. Pudim?
NS: Ok, nossa, eu amo a torta de banoffee da minha prima. Eu amo torta de banoffee.
JW: E o que você vai beber?
NS: Não sei.
JW: Vinho?
L: Você gosta de champanhe?
JW: Coquetéis? Gosta de coquetel?
NS: É, eu gosto de coquetel. Eu gosto de gin tônica.
L: Você tem boa etiqueta?
NS: (sussurra) Eu acho que não.
JW: Eu acho que tem!
L: Você está bem, querida.
NS: Você diz etiqueta tipo, etiqueta, etiqueta mesmo? Mas deixa eu falar, esse bolo está sensacional.
JW: Está muito bom!
L: Mas ele ficou meio molhado.
JW: Melhor do que seco.
L: Era para ficar no forno por 40 a 45 minutos mas ele ficou por volta de uma hora.
JW: Mãe, está ótimo! O Jordan gostaria de um pedaço?
NS: Quer dizer, sim. Ele adoraria.
JW: Naomi Scott, você poderia ficar aqui para sempre.
L: (sussurrando) Pergunta pra ela sobre o karaoke.
NS: Ah, eu sei qual a minha música de karaokê.
L: Ok, qual é?
NS: ‘Best I Ever Had’, do Drake.
L: Como você consegue essa? O Drake faz muito rap.
JW: Eu amei, você canta muito em karaokê?
NS: Não. Nunca, na verdade.
JW: Mas você sabia a resposta.
NS: Mas é porque, da época que eu tinha 18 anos, namorava o Jordan, eu estava gravando essa série na Austrália. E eu aprendi o rap. Ele me apresentou as músicas do Drake, no período que eu voltei para casa, nas fitas antigas dele, e eu estava tentando impressioná-lo. Fiquei aprendendo a letra de ‘Best I Ever Had’. Eu não lembro se eu gravei um vídeo ou se eu apresentei para ele pelo Skype. Mas eu vesti alguma coisa estúpida.
JW: Você apresentou pelo Skype, você é muito fofa.
NS: Foi idiota.
JW: Foi idiota, mas nós te amamos por isso.

JW: Naomi Scott, você veio aqui, bebeu um pouco, e nós te amamos muito. Você é uma incrível cantora, e espero que as pessoas escutem você cantar além de ‘Um Mundo Ideal’, eu só acho que as pessoas precisam ouvir sua voz. Ou você cantando o karaokê do Drake.
NS: Eu sei, eu estava quase fazendo o rap. (Gargalham)
JW: Muito obrigada por participar do Table Manners.
NS: Own! Obrigada por me receberem!


Tradução & Adaptação: Equipe Naomi Scott Brasil