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Naomi Scott, Olivia Cooke e Bel Powley são as estrelas e as produtoras executivas da série de podcast chamada Soft Voice. A história acompanha uma jovem mulher (Scott) com uma voz em sua cabeça que diz a ela o que fazer, guiando-a para seu sucesso extraordinário. Um dia, a voz desaparece — e uma nova voz assume. A série de 10 episódios foi criada pelo ator James Bloor (Barkskins).

Confira o resumo do nono episódio de Soft Voice.

EPISÓDIO NOVE – BLOOD POEM

Lydia começa a ler o poema. Não há narração nesse episódio, somente a leitura, com as vozes das três (Lydia, Soft Voice/Jean e Dark Voice) mesclando e alternando entre si.

Lydia é quem começa:

“A Última Vez. É essa a última vez em que te verei no escuro? A última vez que o seu sorriso atravessará o quarto? A última vez em que você irá segurar minha mão à noite? A última instância de prazer? O último toque ali. Eu ouvi que a compaixão é uma mãe sem braços, assistindo enquanto seu bebê se afoga. Onde você estava na última vez? Onde? Retratada, oculta e de cabeça para baixo, dentro dos meus olhos. Caquética.”

A voz de Jean continua: “Poderia essa ser a nossa última vez, novamente? Não poderia, se tivéssemos tentado?” Dark Voice sussurra: “Siga-a, amiga”, e Lydia prossegue: “Nós não tentamos. Não pode ser a última vez. Não é o mesmo”. Dark Voice retoma: “A última vez que vocês se beijaram, que se olharam, que observaram.” Soft Voice sussurra, e logo sua voz se une à de Dark Voice: “Um jardim completamente em ordem. Um diabo em um céu solitário, olhos cansados”, Dark Voice assume, já não mais sussurrando: “Eu te quero destruída, e esquecida.” Soft Voice dá continuidade: “Estou ficando sem forças, Lydia. É difícil saber exatamente quando é o fim, mas eu posso dizer ter te conhecido o bastante. Infelizmente a física nos impede de nos aproximarmos mais, e eu acabei de gastar muito sangue com ‘infelizmente’.”

Tornamos a escutar Lydia lendo: “Florescer é infinito como óleo e tinta, mas está sempre quase terminado. Porque… o que acontece, não acontece, apenas para todos, e então acaba, e acaba, e acaba, e acaba, e acaba… E entre e por trás do que aparenta ser, nossas frias e pequenas cidades alienígenas, absorvendo-nos e derramando inacabável liberdade sobre finalidades e brotos de adoração. Explicação e governança encolhendo. A morte gosta, a morte vive. O indivíduo, não mais vítima. O indivíduo, não mais agente todo-poderoso, autossuficiente.”

Jean retoma: “Mas Lydia, eu estou quase no fim com você, com o que eu ainda tenho comigo das gotas que restam. O que eu te digo: eu nunca me senti tão amada como eu me sinto em seus braços. Quem diria que o sangue iria durar? Eu achei que as máscaras tivessem caído, Lydia, horas atrás. Eu tirei muito por você. Muito. Muito.” A voz de Jean muda agora é a de Lydia, sem que percebêssemos a mudança. “O que separa a necessidade e o querer, para você? Compromisso? Ou a orgulhosa promessa que vem junto? A suspeita de um futuro? A profecia dele? Os ombros largos? Os mortos? Seria essa a última vez que fazemos amor? Quantas vezes mais? 287? 9? 6.020? 17?” então Jean volta a falar: “Isso te surpreende, Lydia? Que eu não escrevo como eu falo?”, e as três dizem juntas: “Que eu sou um dicionário?” e voltamos para Lydia: “Você fica alarmada que, em texto, eu pareço um lago totalmente diferente.”

Dark Voice é quem continua: “Estou fraturada de história. Memória. Gabarito. Desejos. Instrução. Hábito. Pedaço de mil figuras, interpretadas, lunáticas. O fim, e o fim, e… Eu nunca me senti tão gentil como com você. Rapidamente coagulada.” Agora, Dark Voice torna a sussurrar: “Procurando meu último e sangrento suspiro. A fração final que restou de mim”, e Lydia retoma: “Possuem a pele da minha posição, meu pâncreas, as últimas gotas animalescas, a última risadinha. A última saliva, desaparecida. O último drible de amor”.

Soft Voice assume: “Despistando o espectro, o centro, procurando, pterodátilo, cuspindo cruzes perdidas, descendo o mármore, destruído e flamejante e então afundando, uma armadilha de pensamentos sólido-líquidos. A inundação, a carne e os ossos exatos.” Juntas elas seguem: “Estalo escorregadio. Através de um balançando e um vão temporário. O pescoço emplumado de cálcio. O defeito de tandem. A borda, a tranca, o calor, o coágulo. Em certos reboleios as calhas dissolvendo entre os tubos. Religando e moldando uma façanha.”

A música cessa.

E escutamos Jean: “Temo não ter nada a te oferecer, Lydia. Talvez seja assim que vamos chegar ao fim. Saturadas juntas e sozinhas. Complementando uma a outra, cortinas. Eu amo você. Eu amo você.”

“Congelando”, Dark Voice começa com a música voltando a tocar, e vão mesclando-se e alternando: “Gorgolejando o goivo, juntas. Os últimos suspiros. A mutilação, juntas. Faça valer a pena, preciosa. Quanto mais de mim ainda te resta? Drogas, o último mergulho. Como uivar em uma página, e como a fazer falar. A drenagem vermelha. Escorrendo, afinando-se. Um toque de alegria, válido à fundamentação. Escolhendo fusos fora do meio. Um gato acometido à luz do dia. O espírito que vive dentro do meu corpo veio aqui para aprender com você. Obrigada. As lições são duradouras. Decaindo na trincheira, meu DNA, pela última vez, crescendo a saudade da própria dor. A última vez como parceiras. A última vez como amante pacífica. Proclamar. Família. Objeto. Espelho. Prisão. Liberta. Eu divido, eu derramo, por você.”

Tradução & Adaptação: Equipe Naomi Scott Brasil