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Continuando a divulgação da nova fragrância da Chloé, Nomade Naturelle, Naomi Scott concedeu uma entrevista para o site POPSUGAR e falou sobre fragrâncias, sustentabilidade, e seu lema: “valorize mais e compre menos”. Confira:

A beleza tem sido uma parte importante da vida de Naomi Scott desde sempre. Estrelar em filmes como As Panteras e Aladdin requer um retrato de uma gama de personagens em tela, e com isso vêm horas a fio numa cadeira preparando cabelo e maquiagem. Não é segredo que o cuidado com a pele e a maquiagem sejam uma parte importante de sua vida — e agora, ela está adicionando fragrâncias a essa lista. A atriz firmou parceria com a Chloé para o lançamento da nova fragrância Nomade Naturelle, que ostenta uma bela combinação de tâmaras e ameixas como as notas de topo, jasmim no corpo, e baunilha e sândalo para a base. Nos reunimos com Scott através do Zoom para conversar sobre a nova fragrância, sua rotina de beleza, e o compromisso da Chloé com sustentabilidade.

O que você pode nos dizer sobre a fragrância e porque você estava animada para trabalhar na campanha da Chloé?

A Chloé é uma marca tão icônica. É uma da qual todos têm ciência, e ao crescer, você reconhece essa marca, e você sabe o que é. É uma coisa realmente linda poder trabalhar com uma marca que você ama esteticamente e que você possa apoiar em termos do caráter do que eles estão tentando conquistar.

O que veio a sua mente quando você sentiu o cheiro da fragrância pela primeira vez?

Ela me lembrou o sair da cidade — aquela sensação quando você só sabe quando está muito longe de casa, como quando costumávamos ir ao Center Parcs Wales e começávamos a entrar na natureza novamente. Me lembrou da sensação de sair da cidade e estar livre.

Qual a diferença dessa nova fragrância para as outras que a Chloé lançou anteriormente?

Ela é feita 100% por ingredientes orgânicos, é vegana, e a embalagem também é 40% de materiais reciclados por PCR. Na verdade eu aprendi bastante sobre sustentabilidade conforme eu segui esse processo com a marca, aprendendo o que isso realmente significa e como as empresas estão dando passos verdadeiros em sua direção. Eu acho que a Chloé tem sido tão intencional com isso, e eles conseguiram o certificado B Corp, que é um grande feito, e que mostra que não estão direcionando os esforços apenas a um produto. É algo que está mesmo arraigado na empresa, e eu amo isso. É muito importante, e é inspirador para mim também, porque nenhum de nós é perfeito quando o assunto é sustentabilidade. Eu certamente não sou, mas eu gostaria de pensar que estou caminhando para ser mais intencional sobre o que eu faço, o que eu consumo, e o que eu produzo de resíduos. Então me aliar a uma marca que realmente está trilhando a jornada e não só declamando o discurso é muito, muito legal.

Isso parece incrível. Você lembra qual foi o seu primeiro perfume?

Sinto dizer, não é um muito elegante, mas foi um Impulse. Aqueles sprays cumpriram a missão, sejamos francos. Definitivamente eu lembro de ter um DKNY Be Delicious e nos meus anos de adolescente, ter um Daisy da marca Marc Jacobs, que eu gostava muito. Eu acho que foi minha tia que me deu.

Quais são as coisas essenciais que você procura ao encontrar uma nova fragrância?

Algo que não me dê dor de cabeça. Eu não quero que seja muito forte, e eu não quero que me faça pensar, ‘Oh, isso é perfume, isso é bem cara de perfume’. É um cheiro que seja natural de modo que não pareça ter sido feito por pessoas. Algo que eu possa usar que não irá irritar minha pele é importante, também. Algo que seja fresco, e floral, e delicioso. Meus cheiros preferidos são normalmente os de comida na verdade!

Sério? Quais são seus cheiros favoritos de comida?

O melhor cheiro de todos é literalmente a mistura de cebolas fritas, alho, e gengibre quando você começa a fazer curry, com um pouco de cravo-da-índia. O início do curry é o melhor cheiro do mundo. Eu também amo o cheiro do preparo de chapatis porque minha avó costumava colocá-los direto no forno. É engraçado porque eu não acho que seja um cheiro que as pessoas sentiriam e ficariam ‘humm’, mas é um gatilho de memória para mim que me leva de volta para quando eu fazia chapatis com ela quando criança. Qualquer coisa relacionada a comida indiana para mim já está na lista. Então o completo oposto é pó de talco por causa do lado inglês da minha família e o fato de que minha avó cheira a talco.

Excelente! Em termos de problemas de pele, você falou ter eczema no passado. Como você diria que isso afetou a forma que você lida com a beleza num todo?

Isso afetou todo o meu conceito de beleza. O que eu passei nos últimos dois anos não tem sido exatamente eczema, tem sido o resultado dos cremes que me deram desde a infância quando eu achava que tinha eczema. Então o que realmente aconteceu foi uma retirada dos cremes esteróides. A condição que eu tenho se chama TSW, ou Síndrome da Retirada de Corticóides [Topical Steroid Withdrawal]. O seu corpo então toma um longo, longo tempo para se curar e se descobrir, porque esteve se apoiando em outra coisa. Existe algo que deve ser dito sobre beleza e essa ideia de que menos é mais. Nossos corpos são tão incríveis que eles podem realmente se curar.

Existe um elemento de não querer depender tanto de algo, seja um hidratante ou outra coisa, e eu concordo. Eu estive lidando com a TSW, e tem sido uma morte para o ego, sendo sincera, por conta de algumas coisas pelas quais você passa. Eu posso dizer isso agora, porque eu espero estar me aproximando do fim disso. Quando seu rosto é o seu trabalho, isso te força a aceitar e entender que você está onde está com base no seu trabalho duro, seu talento, suas habilidades e não somente pela forma como as pessoas enxergam você fisicamente e esteticamente. Te força a ficar, ‘Bem, meu valor não pode estar no meu rosto agora porque eu pareço um lagarto’. Meu valor precisa estar em algo além, e isso te força a ter esse reconhecimento de si mesmo. Também te mostra quem está verdadeiramente ali com você, quem está disposto a sentar do seu lado quando a coisa está feia.

Isso também me provou quão forte eu sou. Algumas vezes, era muito doloroso, e eu tinha que gravar um filme no qual eu precisava colocar maquiagem na minha pele quando ela estava ferida, o que era muito difícil e doloroso. Por mais difícil que tenha sido esse período, tem sido na verdade uma boa lição. Agora eu me questiono até o que é a beleza, e quando todos falam ‘Ah, a beleza está no interior’, eu fico tipo sim, claro, mas não há nada mais bonito do que alguém que esteja confortável com quem é e onde está. Não há nada mais atraente do que isso em um ser humano.

Com certeza. Você sente que o lockdown te ajudou com isso, também?

Absolutamente. Não estou sendo anti-expressão ou maquiagem. Eu amo isso, e eu respeito muito a arte nisso. Para algumas das minhas amigas, maquiagem é quase uma terapia para elas, e elas amam essa forma de expressão, mas é para elas. Não é só uma peça de uma armadura, é uma forma de se expressar. Eu realmente acho que todos nós podemos nos desafiar com isso sempre.

Que conselho você daria para pessoas que estão tentando viver a beleza com mais consciência?

Por eu não ser uma expert nas praticidades da coisa, eu posso falar só sobre minha experiência pessoal e a mudança de perspectiva. Para mim, é a ideia de colocar o valor de volta nos itens. Tem um livro que eu li chamado The Ruthless Elimination of Hurry, e fala como a conveniência e a cultura do imediatismo são grande parte do nosso problema. O fato de que somos tão acostumados a escolher coisas, usar as coisas, e não pensar sobre de onde elas vieram ou a ideia de como foram feitas, ou mesmo pensar no acabamento. Existe tanta beleza no processo de criar algo, e então você valoriza aquilo mais quando entende de onde vem. Eu acho que diminuir o ritmo é uma boa parte do que me ajuda pessoalmente. Eu não quero falar por ninguém, mas eu acho que existe algo no conceito de devolver o valor das coisas. Quando você faz isso, você começa a valorizar mais e comprar menos, na minha experiência.


Fonte: POPSUGAR
Tradução & Adaptação: Equipe Naomi Scott Brasil