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Naomi Scott, Olivia Cooke e Bel Powley são as estrelas e as produtoras executivas da série de podcast chamada Soft Voice. A história acompanha uma jovem mulher (Scott) com uma voz em sua cabeça que diz a ela o que fazer, guiando-a para seu sucesso extraordinário. Um dia, a voz desaparece — e uma nova voz assume. A série de 10 episódios foi criada pelo ator James Bloor (Barkskins).

Confira o resumo do sexto episódio de Soft Voice.

EPISÓDIO QUATRO – THAT’S HOW THE LIGHT GETS IN

ALERTA DE GATILHO – VIOLÊNCIA

Depois que o podcast terminou, Lydia e Jean entraram em um sono profundo. 4h47 da manhã, Jean começou a acordar, então tocou gentilmente o rosto de Lydia e disse “Olá Lydia”. “Olá, Soft Voice”, Lydia respondeu, sonolenta. Jean pergunta se ela tem uma voz suave e Lydia diz que sim. “Eu preciso ir trabalhar”, diz Jean já se levantando. Lydia pede para ela não ir, para que ficasse com ela, e então pergunta “Você quer ir? Porque você não precisa ir se não quiser, sabe.” Jean então fala para Lydia ficar e voltar a dormir, e para que quando ela acordasse ela se sentisse em casa, e que a veria mais tarde. “Okay. Tenha um bom dia. Até mais tarde”, diz Lydia, deixando-a ir.

Assim que Jean saiu, Lydia voltou a dormir, e começou a sonhar. E é quando ouvimos a voz da vó Night-Night dizendo que ela estava incrível. Lydia e vó Night Night repetem diversas falas ditas por outros personagens durante a série, mas criam um novo diálogo. Lydia diz tê-la perdido, e vó Night Night fala que essa era a diferença entre homicídio culposo e doloso. A neta diz precisar ligar para a Jean. “Você é lésbica?”, pergunta a avó, dizendo “Eu nunca imaginaria”, e Lydia responde “Sim!”, e após uma pausa diz “Não…” Night Night diz que o ‘toca aqui’ é uma palma entre duas pessoas, e uma antiga técnica medicinal. Então o sonho começa a se tornar um pesadelo quando a avó diz que tem as gravações de Lydia a raptando, e diz também nunca mais querer ver o rosto de Lydia novamente.

Lydia acorda assustada, dizendo a si mesma que tudo não passou de um sonho. Ela vai buscar água, e então ela vê que Jean deixou um recado para ela. Lydia apresenta certa dificuldade ao ler o bilhete, que dizia para que ela ficasse à vontade, e que deixou croissants e geleia para ela. “Lydia, você acabou de enfiar seu dedo na geleia da Jean?”, pergunta Dark Voice. “Ela não vai se importar”, responde Lydia. Lydia volta para o quarto de Jean, e pergunta quantos poemas teriam ali. “Não sei”, responde Dark Voice, “cem?” Lydia pega um e lê para a Dark Voice. O poema falava sobre materiais de papelaria, mas também sobre como Jean achava que coisas durariam a vida inteira e seriam parte dela, como super bonder seca nos dedos, mas que no dia seguinte essas coisas já não estavam mais lá.

“Que mordaz”, comentou Dark Voice, mas Lydia diz que parece ter sido escrito por uma criança, além de que tinham muitas palavras escritas erradas. “Por que você acha que todos os poemas estão escritos em caneta vermelha?” Lydia encontra outro poema na mesa de canto, e supõe ser novo. Esse poema é uma declaração de amor. E é então que Dark Voice tem uma ideia.

“Sabe o que, Lydia… Você estava certa”, diz Dark Voice, “Certa sobre a Jean estar com a Soft Voice. Certa sobre a Soft Voice estar dentro da Jean.” Lydia estranha a mudança de postura da voz, mas Dark Voice diz ser exatamente como Lydia supôs: a Soft Voice estava presa dentro da cabeça da Jean. Lydia conclui que a Soft Voice está presa porque a Jean não tem um buraco na cabeça, então não dá para a voz sair. Mas então Lydia pergunta como a Soft Voice teria entrado na cabeça de Jean. Lydia fica com um pé atrás sobre como Soft Voice teria, então, entrado na cabeça de Jean e Dark Voice argumenta que a Soft Voice é muito diligente. Quando Lydia pensa sobre a voz de Jean, e sobre não fazer sentido ela falar com a voz da Soft Voice, mas a Dark Voice fala que Lydia está se preocupando demais com os detalhes. Dark Voice também diz que a Soft Voice não só está presa dentro da cabeça de Jean, como está desesperada por encontrar a Lydia novamente e voltar para dentro de sua cabeça. Quando Lydia pergunta como ela conseguiria trazer a Soft Voice de volta, a Dark Voice diz para Lydia abrir um buraco na cabeça de Jean, e então conectar o seu buraco ao de Jean. “E o que acontece com você?”, pergunta Lydia, e a Dark Voice responde que será despejada.

Na rua, Lydia discute com Dark Voice sobre como ela poderia ter dito algo tão horrível e cruel. Lydia diz que a Jean é tudo o que ela precisa. “Eu nunca a machucaria”, diz Lydia, “nunca”. Dark Voice responde: “bom, se você diz…” Então Lydia reconhece Graham parado na porta do seu prédio, pressionando a campainha. Lydia se aproxima dele, pegando-o de surpresa. Ele diz estar devolvendo algumas coisas dela, e pede perdão pois está levando um tempo para ele se adaptar a não mais tê-la com ele. Ele pergunta como Lydia está e ela diz que está bem, então ela pergunta como Graham está e ele vacila ao dizer ‘ok’. “Olha, Lydia, ele está despedaçado”, diz Dark Voice, e é quando Graham fala, com a voz embargada que na verdade não está bem. Ele diz sentir saudades dela. “Então você tem sentimentos, no fim das contas?”, diz Lydia, e Graham pergunta o que foi que ela falou. Lydia diz: “Desculpa, eu falei em voz alta! Eu pretendia dizer só na minha cabeça. Graham, é meio estranho te ver, especialmente depois de voltar do…” Graham pergunta de onde ela estava voltando, e pergunta se era de um novo amante. Lydia diz que sim. “Brutal”, diz Dark Voice.

Graham diz que queria vê-la, e pede desculpas pelas outras e por muitas outras coisas. Então ele deseja tudo de melhor para ela e eles se despedem, mas antes de ir embora ele diz: “Se você precisar de um advogado em algum momento, eu sou o seu cara”. Lydia agradece e entra em casa, indo para a banheira relaxar. Ela pensou em tudo o que perdeu desde que a Soft Voice foi embora. Ela teria seu emprego de volta? Ou sua avó? Ou seu dinheiro? Ela não sabia, mas tinha certeza que Jean saberia. Se pelo menos Lydia pudesse ficar mais próxima de Jean, pois a proximidade da noite anterior não era o bastante. Se Lydia pudesse entrar em Jean… ou se Jean pudesse entrar em Lydia, para que elas se tornassem uma. Lydia tocou o topo da cabeça, sentindo o buraquinho.

Às quatro da tarde, Lydia recebeu um áudio de Jean dizendo que vai voltar para casa mais cedo por estar com dor de cabeça, e Lydia a chama para ir ao seu apartamento para que pudesse cuidar dela.

Jean chega e Lydia a recebe, perguntando sobre a dor. Jean diz estar melhor, mas que a dor fica indo e voltando. “Eu devo tirar meus sapatos?”, pergunta Jean. Lydia diz que se ela quiser, sim. “Você quer?”, pergunta Jean. “Eu quero o que você quiser”, diz Lydia. Jean diz que quer tirá-los então os tira. Elas conversam um pouco sobre o trabalho de Jean, e Lydia acaba contando ter lido alguns poemas de Jean pela manhã, e que adorou eles, pois os achou muito “mordazes”. Jean diz que ela é muito gentil e Lydia começa uma tour pelo apartamento. Entretanto, Lydia é uma corretora de imóveis, então é assim que ela apresenta a sua própria casa. Jean fica curiosa sobre o tapete de yoga, e sobre o livro de 501 verbos em italiano.

“Você sabe todos eles?”, pergunta Jean, e Lydia responde saber por volta de 440. Jean encontra o instrumento de Lydia e pergunta se ela pode tocá-lo, mas Lydia se esquiva ao dizer estar fora de prática, voltando à tour. “Você joga tênis!?”, pergunta Jean, e Lydia explica ser badminton. Jean brinca com a raquete e acaba acertando o móvel. Ela pede desculpas. Aí encontra uma medalha, que deixa Lydia desconfortável. “Uma medalha de ouro!”, exclama Jean, mas Lydia logo a corrige, dizendo ser uma medalha de bronze. Jean lê que é de uma maratona, e Lydia diz que foi meia maratona, há muito tempo, e que o ritmo dela tem aumentado muito desde aquela época. Jean diz que a medalha não deveria ficar escondida e sim à mostra para todos. “Você não se orgulha dessa conquista?”, pergunta Jean. “Não, definitivamente não. Eu nem sabia que ainda guardava isso.”, diz Lydia. Então Lydia diz para Jean deixá-la sozinha por um instante, e que se sentisse em casa. Lydia e Dark Voice começam a conversar sobre aquela medalha, como era vergonhoso tê-la, e como a Soft Voice jamais se orgulharia de uma medalha de bronze. “Bronze é o segundo melhor perdedor”. O fato de Soft Voice estar presa dentro da cabeça de alguém como a Jean deve ser torturante. “Se eu fosse a Soft Voice”, diz Dark Voice, “eu estaria louca para sair”.

Quando Lydia volta a se encontrar com Jean, Jean estava mexendo em seu guarda-roupa. “Esse é um vestido tão lindo”, e Lydia diz que é o seu vestido de funeral. “Esse? Mas ele é preto!”, diz Jean, e Lydia diz que preto é o que se utiliza em funerais. “Eu nunca usei preto em um funeral, eu sempre visto roupas coloridas”, diz Jean. Lydia então a conduz para o banheiro e Jean se encanta com a banheira. “É uma jacuzzi”, Lydia corrige. Jean diz que nunca tomou um banho de banheira, então fala que o espelho é adorável. “A gente não fica bem juntas? Uma perto da outra?”, e é aí que Jean descobre que o espelho tem um compartimento dentro. Jean encontra a furadeira, e diz que deve ter sido a furadeira que Lydia utilizou para a trepanação. “Tem sangue na ponta, olha!”, mostra Jean, e Lydia pergunta como ela sabe que é sangue, mas a dor de cabeça de Jean piora bastante. Jean diz que a dor é uma pressão que vem, como se algo estivesse empurrando por dentro, e só então responde conhecer sangue, pois escreve seus poemas com seu próprio sangue. Lydia pergunta o porquê dela fazer isso. “Faz com que eu escolha minhas palavras cuidadosamente”, diz Jean, “cada palavra é muito preciosa”. Lydia pergunta então se ela tem que escolher a palavra correta, mas Jean diz que não: “Só a mais significativa”.

Lydia chama Jean de volta para a sala de estar e pergunta qual a diferença entre “significativa” e “correta”. Jean diz que muitas coisas têm significado para Lydia. A yoga, o italiano, o badminton… “As pessoas também têm significado. Como a sua avó!”, diz Jean, e Lydia fala “E como você.” Jean pergunta o porquê dela ter algum significado para Lydia, que responde que Jean parece saber de alguma coisa, então Lydia diz que talvez deva trabalhar na mesma loja que Jean. Jean diz gostar muito de seu trabalho, e de boliche, e de podcasts criminais, e pergunta sobre o antigo emprego de Lydia. Lydia diz que era uma corretora, e Jean pergunta se aquilo tinha algum significado para ela. Lydia diz que era, pois ela era muito boa. “Eu estava querendo que você me ajudasse a conseguí-lo de volta”, diz Lydia. Jean fala que vai dar o seu melhor e Lydia decide ligar para o antigo chefe naquele instante, e que Jean a dissesse o que falar.

A conversa com Trevor não vai bem e ele pede para ela não ligar para aquele número outra vez, e diz que ele mesmo espalhou para todas as agências que a Lydia era uma lesma nada profissional. Ele desliga, e Dark Voice gargalha dentro da cabeça de Lydia. Jean pergunta se ela foi demitida, mas as gargalhadas aumentam e Lydia grita que não tem graça. “Eu não estava rindo”, diz Jean. “É claro que não estava”, diz Lydia, tentando se controlar. Então chama a convidada para jogar um jogo de formar palavras. Lydia está claramente transtornada nesse momento. Jean forma uma palavra, e ela diz “É iogurte”, e Lydia ri nervosamente, dizendo, “Não, não é. Está escrito iogurete. Não é assim que se soletra iogurte.” Lydia dá uma nota baixa para Jean pelo erro, e diz que é terrível. “Você parece preocupada”, diz Jean, e Lydia responde: “Eu estou um pouco preocupada. Você não sabe soletrar?” Jean diz que acha difícil soletrar, e Lydia fala que faz sentido já que os poemas dela, apesar de adoráveis, são cheios de erros na ordem das letras. “Poemas são feitos de palavras, não de letras”, argumenta Jean, e Lydia explica que as letras corretas moldam a palavra naquilo que ela tem que ser. Caso contrário as palavras podem virar outras palavras, ou apenas barulhos. “Palavras são sons”, diz Jean. “Não quando estão escritas”, fala Lydia. Jean informa que o jogo está piorando a dor de cabeça dela e que ela está com fome, e pergunta se elas podem jantar.

Lydia então vai com Jean para o mercado, levando-a para os iogurtes. “Alguns iogurtes são bons para o sucesso”, diz Lydia, “mas qual?” Jean não consegue escolher porque a dor de cabeça está piorando e talvez seja melhor ela deitar, mas Lydia continua mostrando vários iogurtes e perguntando o que Jean achava de cada um deles. Jean pergunta se iogurte seria o bastante para o jantar e Lydia diz não saber, e então grita que Jean quem deveria dizer se era ou não.

Jean fala que Lydia a está assustando. “É como se você não gostasse mais de mim, porque eu não consigo recuperar o seu emprego, e eu não consigo soletrar, e agora eu não consigo te dizer qual iogurte escolher e eu estou com dor de cabeça”, ela fala, com a voz embargada, “eu achei que você cuidaria de mim”. Dark Voice fala para Lydia abraçá-la, mas Lydia nega, então Dark Voice fala para ela pedir desculpas. Lydia diz não estar se sentindo muito bem e pede desculpas. Jean diz que não quer ser uma frustração, e Lydia diz: “Você não é. Você não é de jeito nenhum. Eu sei que você está aí, tentando sair”. Jean pergunta se elas podem voltar para o apartamento e tomarem um banho de banheira juntas. “Sim, essa é uma ótima ideia, Soft Voice”. Jean sorri, “Eu gosto quando você me chama assim. Eu acho que eu te amo, Lydia”, e Lydia responde: “Eu te amo também, Soft Voice”.

Lydia levou Jean para casa, para o banheiro, e preparou a hidromassagem. A furadeira estava em cima da pia. Jean entrou na banheira, e chamou Lydia para entrar. Lydia diz que entrará em um instante, e diz para Jean relaxar enquanto ela faz um cafuné nela. Jean indica onde está doendo e Lydia faz massagem ali. Ela pergunta se os remédios não ajudaram e Jean fala que ajudam um pouco, mas logo a dor volta. Lydia pergunta se Jean já pensou em deixar essa dor sair, e Jean diz que não está disposta a tentar a trepanação. “A furadeira está bem atrás de você, Lydia”, diz Dark Voice. Jean diz que comprou um presente para Lydia, e que o escondeu no quarto, e que Lydia precisará procurar por ele. “Faça agora”, diz Dark Voice, “A Soft Voice precisa sair. Deixe a Soft Voice sair, e a dor de cabeça da Jean vai ser curada.” Lydia continua a massagear a cabeça de Jean, enquanto Dark Voice continua a sussurrar: “Deixe a Soft Voice sair, e você nunca mais ouvirá de mim, Lydia. A Soft Voice ama você, Lydia.” Lydia liga a furadeira na cabeça de Jean.

A cabeça de Jean caiu nas mãos de Lydia. Lydia olhou para o rosto dela, os olhos enormes, uma única lágrima. “Seu rosto… seu rosto…”, disse Jean em seu último suspiro. “Sua voz. Soft Voice”, disse Lydia, enxugando a lágrima de Jean. Então se ajeitou, juntando o buraco de sua cabeça ao de Jean, formando um túnel entre os crânios. Lydia sorriu.



Tradução & Adaptação: Equipe Naomi Scott Brasil


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Naomi Scott participou da décima primeira temporada do Table Manners with Jessie Ware. Apresentado pela cantora britânica Jessie Ware e sua mãe, Lennie, o podcast fala sobre comida, família e a bela arte de bater um papo, direto de sua própria mesa de jantar.

No décimo terceiro episódio, Naomi fala sobre ter crescido como filha de pastor, a comida de sua avó e as primeiras lembranças de fazer Chapati juntas. Ela também fala sobre seu marido que ela conheceu aos 16 anos na igreja e que cresceu cercada por música gospel em Hounslow.

Jessie Ware: Você entrou e falou “eu só não posso consumir laticínios”.
Naomi Scott: É o seguinte, saibam que eu não sou médica. Mas eu !!! com TSW.
JW e Lennie: O que é isso?
JW: Parece nome de banda.
NS: Eu sei! TLC.
L: Aquela que canta ‘No Scrubs’?
NS: Exato! Então, é a chamada Resistência a Esteróides Tópicos (Topical Steroid Withdrawal). Eu amo como estamos indo direto na minha ficha médica, como primeiro tópico.
L: Ah…
NS: Não, tudo bem, eu adoro. Bom, eu cresci com eczema e os doutores…
L: Você usou esteróides.
NS: Creme de corticosteróides, aos quais eu tenho uma opinião forte sobre. E com o passar dos anos o meu corpo ficou, como se diz… viciado ao creme com esteróides. E aí o seu corpo para de…
L: Você não funciona sem eles.
NS: Exato. E receitaram esteróides mais fortes e etc. Daí o seu corpo só vai “Nah, isso não funciona mais”. Chegou num ponto que eu tinha, eu acho, 23 anos, e meu corpo basicamente erodiu. Isso foi depois de gravar Aladdin. E eu e meu marido ficamos “ok, nós temos que ser naturais, para deixar o corpo se curar naturalmente”, então eu afastei todos os meus esteróides e outros cremes imunodepressivos. E aí surgem os sintomas da dependência, que ninguém nunca te avisou sobre. E como você pode ver, minha pele…
L: Sua pele é linda!
NS: Quer dizer…
JW: É muito bonita.
L: Olha essa pele!
JW: Mas isso foi tudo curado a partir de uma dieta?
NS: Bom, não. Está sendo curado pela paciência, e parar de passar os cremes.
L: Mas o que você faz se você estiver com coceira? Se você estiver tendo uma reação a alguma coisa?
JW: Mas eu lembro que na festa da Vogue você estava sentindo a coceira, e você disse “Meu eczema está forte”.
NS: O que é engraçado porque nessa época eu não sabia que eu tinha resistência aos esteróides. Eu nem sabia que isso existia. Esse assunto não recebe muita atenção por muitos motivos. Mas é um dano nervoso. Então os cremes esteróides entram em contato com a pele, e a pele é o seu maior órgão. Não é só uma reação alérgica, é também um dano nervoso, porque a coceira é tão profunda que você não consegue alcançá-la.
L: Ui!
NS: É desconfortável, desculpa, estamos prestes a comer e eu tipo “eu lasco o meu corpo todo”…
JW: Oh não.
NS: Mas eu acho que é importante falar sobre isso, porque muitas pessoas estão passando por isso, e muitas pessoas estão passando por isso sem nem saber que seja Resistência a Esteróides Tópicos. Eles acham que seja só um eczema severo, mas na verdade é do creme de esteróides que você está usando. Então, você vê minha elasticidade quando eu sorrio. Eu não tenho uma elasticidade normal, parece que sou muito enrugada.
L: Por causa dos esteróides?
NS: Esse é o processo de recuperação. Então eu estou há três anos nesse processo, e eu faço um tratamento natural, o que significa que eu não coloco nenhum hidratante na pele.
JW: Quê!?
L: Por quê?
NS: Porque isso força o meu corpo a criar os próprios óleos e se hidratar. É maluco porque, diante das câmeras, meu rosto é o meu trabalho. E tem sido interessante através dos anos…
JW: Como o seu rosto reage à maquiagem? É um pesadelo? Porque você parece radiante para mim.
NS: Então… outra coisa estranha sobre isso é que, em 2019, que é quando eu viajei muito em questão de promover coisas, foi como uma reação atrasada, porque eu não estava colocando cremes nem nada e minha pele estava muito boa, eu estava apta a funcionar sem eles. Chegou 2020, tudo desandou.
L: Fomos pegos por uma pandemia.
NS: Sim! Literalmente eu passei pelos meus piores sintomas. Eles não são só relacionados à pele, eles envolvem outras coisas. Então você achou que foi porque eu teria um quê de atriz de “ai eu não posso tomar isso, não posso comer aquilo”.
L: Têm muitas pessoas assim.
NS: A questão é que laticínios são o gatilho principal.
JW: E isso se associa muito com o eczema, né?
NS: Exatamente! Porque laticínios não são bons, no geral, para mim. Mas para isso, por exemplo, eu acho tão difícil de negar. Eu sou uma comilona, eu como… eu amo tanto comida, que eu mandei um email para a minha equipe perguntando “mas tem que ser lá?” e eles disseram “o podcast só funciona se você for lá”.

JW: Então me diga, sobre o passado. Sua ascendência. Como funciona quando você come com a sua família?
NS: Oh, minha mãe faz… sabe uma coisa que me mata?
L: O quê?
NS: Pimenta. Porque a pimenta inflama e faz o corpo ferver.
L: Dá coceira.
NS: É… E é tão triste, porque o Dahl da minha mãe… E o curry… minha nossa, eu amo a comida da minha mãe.
L: Eu preciso da receita do curry. Você acha que sua mãe me passaria?
NS: Sim! Com certeza!
JW: Certo, então me diga como era, quando você era criança, quem preparava aquela típica refeição de família na sua casa?
NS: Hm… Minha avó.
JW: Você morava com a sua avó?
NS: Não, não! Desculpa, não, eu quis dizer que nós sempre íamos para a casa da minha avó para comer. Mas na nossa casa, era estranho, porque meu pai é inglês e minha mãe é indiana, então…
L: De qual parte da Índia?
NS: Ela na verdade é africana.
L: Ah, então você é asiática de Uganda?
NS: Sim! Fico tão contente que você saiba disso! (…) Então ela veio de Uganda, mudou-se para a Inglaterra quando ela tinha onze anos, minha avó com seus dez filhos, cerca de dois meses antes de Idi Amin perder as estribeiras, então eles organizaram um jeito de fugir.
L: Se eles tivessem sido pegos, ele teria feito algo.
NS: Ele teria, provavelmente. Não sei.
JW: Você não estaria aqui.
NS: Eu não estaria aqui. Ou eu estaria de uma forma diferente.
JW: E como eles chegaram ao Reino Unido?
NS: Eu não sei pra onde eles foram em primeiro lugar, mas eles cresceram em Hounslow. E meu pai é de Wimbledon, ele é super britânico, então eu cresci… minha casa…
L: Onde eles se conheceram?
NS: Eles se conheceram na igreja, na verdade.
L: Então você é cristã?
NS: Sim! Eu diria que sim, apesar dessa palavra ser muito forte. É interessante para mim… Sim, eu diria que sim.
L: Eu acho que a dica foi na parte da igreja. Eles não se tornaram hindi, ou…
NS: Não, não, não. Ela… E isso é outra coisa interessante. A família dela era hindu. Mas eu diria que, em questão de prática, eu não tenho certeza. Minha avó disse a todas as suas filhas, pois ela teve nove filhas e um filho, e ela disse “Você pode casar com quem você quiser casar”, não tinha aquela pressão. Então eles estão ao redor do mundo, casados com pessoas de diferentes nacionalidades. Mas eu também sinto que teve uma questão de assimilação, ela só tinha 11 anos, e minha mãe é muito inglesa também. É uma mistura interessante. Eu acho que eu tive refeições muito britânicas na infância, era uma casa muito britânica. Só quando eu ia para a casa da minha avó e, uma das minhas primeiras lembranças é de fazer chapatis com minha avó, é tão… tão adorável. E o curry da minha avó era o melhor! Era tão bom.
JW: Ela está viva?
NS: Não… ela morreu há uns… seis anos?
JW: E ela veio para cá com o seu avô?
NS: Eu acho que eles vieram antes e meu avô veio depois, mas eu não tenho certeza. Mas foi a minha avó quem realmente fez o trabalho pesado de conseguir os passaportes. Teve uma outra família que os ajudou, financeiramente, a fugirem também. Mas a minha avó era essa indiana pequenininha, ela era tipo tamanho PP, e era incrível.
L: Ela vestia saare?
NS: Sabe, ela usava quando era mais nova, eu lembro dela usar saare. E aí ela envelheceu, não muito, mas sim, minhas lembranças dela é que na casa dela tinham todos esses deuses hindus diferentes. Você só tem essas memórias, sabe? E sempre o cheiro, né, quando falamos de infância sempre tem o cheiro. Ontem estávamos andando de bicicleta pela East London e eu falei para o Jordan “eu sinto cheiro de chapatis”. Eu pude lembrar daquele cheiro. Mas sinceramente, curry, pra mim, feito em casa, é… (estala a língua)
JW: Você acabou de mencionar o Jordan.
NS: Sim.
JW: (Cantarola) Que é o seu, muito charmoso, marido.
NS: (Gargalha)
JW: Minha nossa, mãe, se ele tivesse vindo a senhora ficaria muito feliz.
L: Ele é bonito? Deixa eu ver ele.
NS: Vou te mostrar fotos.
JW: Ele deveria ter vindo!
NS: Não diga isso… ele ficaria… ele ficaria meio…
JW: Mas ele é um de seus gerentes, não é?
NS: Bom, sim. Tecnicamente.
JW: Poderia tê-lo trazido pelo trabalho.
NS: Eu poderia! Ah, deixa eu te mostrar fotos dele.
JW: E ele… ele é um futebolista semi-profissional?
NS: Profissional, sim.
JW: Profissional!
L: Ah, Jessie! O homem é perfeito.
NS: É. Esse é o meu marido.
L: Meu Deus.
JW: Sim, eu sei! Traga-o aqui, rápido! Tragam ele pra cá!
L: Onde vocês se conheceram?
NS: (Gargalha) Na igreja!
JW e L: Meu Deus!
JW: Eu pensei que seria algo como… jardim de infância.
NS: Jardim!? Eu conheci o Jordan quando eu tinha 16 anos!
JW: Isso é tão adorável…
NS: Nós começamos a namorar quando eu tinha 17.
JW: E vocês se casaram bem cedo, né?
NS: É. Aliás, hoje eu fico, minha nossa, se uma moça de 21 anos vier me falar “é, ahm, eu acho que vou me casar” e vou responder “oi? Perdão?” Mas na época, também para as pessoas que nos conheciam, em questão dos nossos trabalhos, nós tivemos que crescer muito rápido. Então eu acho que nós amadurecemos muito rápido, então para as pessoas que nos conheciam isso fazia sentido.
JW: Ele era um jogador profissional.
NS: Sim, sim.
L: Ele estava em qual time?
NS: Na época… West Ham? Quando nos conhecemos ele jogava no West Ham.
L: Eu ia dizer que ele era de West Ham
NS: Você ia? Você teve a sensação…
L: De que ele tinha sido um jogador do West Ham? Sim.
JW: Então você ia à igreja com frequência?
NS: Eu sou filha de pastores. Eu sou uma PK (Pastor’s Kid), eu sou uma filha de pastores.
JW: Nossa!
L: Foi onde ela conseguiu… cantar.
NS: Eu cresci na igreja. E comecei a cantar lá, sim. Eu cresci com música gospel.
JW: Ahh! Okay! A ficha caiu!
NS: Então eu cresci com Mary Mary, Kim Burrell… Gospel popular. É a minha bagagem.
JW: Quem estava na banda da sua igreja? Porque sempre começa assim, alguém na banda da igreja…
NS: Não. Era mais… tio Martin no baixo. 16 anos, mandando um (faz barulho do baixo). Não é como as igrejas americanas. Era mais simples. E a música com a qual eu cresci definitivamente foi nessa pegada de Pop-Gospel.
JW: E quando você recebeu seu primeiro solo?
NS: Quando eu recebi meu primeiro solo? Oh, eu não me lembro!
JW: Você não lembra qual foi!?
NS: Não lembro! Por que eu só lembro de cantar na igreja. E então, todas as vezes eu tinha que puxar uma música. Mas eu lembro da primeira vez que eu realmente cantei, pra valer, como num show. Nós tínhamos esse acampamento de verão chamado “Quer Cantar, Vai Cantar”.
JW: Parece ótimo.
NS: Eu sei, eu amo. E a moça que estava coordenando me deu “I Say a Little Prayer”, da Aretha Franklin.
L: Uau!
NS: A propósito, que música difícil. Cruelmente difícil.
JW: Foi sabotagem ou…?
NS: Não, ela estava tipo “eu acredito que você consegue”.
L: Por que é tão difícil?
JW: Pela distância das notas.
NS: Para uma garota de 12 anos, essa parte (canta), e como o refrão é, (canta).
L: É muito agudo, sim.
NS: Sim. E eu lembro de apresentar e os meus pais ficaram tipo “oh, ela consegue cantar. Nós sabíamos que ela conseguia cantar, mas ela pode cantar mesmo”.
JW: O Jordan estava na plateia?
NS: Não. Eu acho que isso foi antes de nos conhecermos. Mas ele… a primeira vez que ele foi para a igreja eu estava cantando no palco e isso é hilário. Eu lembro o que eu estava vestindo, terrível a propósito. Era de uma loja.
L: Onde foi isso, em Hounslow?
NS: Não, tínhamos nos mudado para o leste, então… Eu cresci em Hounslow e aí nos mudamos para Ilford. Minha mãe encontrava a salvação em qualquer lugar que fosse. Mas o vestido que eu usava era bem barato, (…) cinza, decotado.
JW: Você usava decote? Na igreja?
NS: Eu acho que sim. Ele era cinza, justo, e de mangas compridas… Então ele entrou, quer dizer, ele já estava lá, muito alto.
JW: Não dá pra não vê-lo.
NS: Então eu o notei, e eu fiquei, “tem um adulto ali” (gargalham), mas eu achei que ele fosse muito mais velho.
L: Você lembra o que estava cantando?
NS: Ah, não, eu não lembro. Mas aí meu pai tinha esse negócio de “ok, vai lá dar oi pra alguém que você não conhece!” (gargalham)
L: Oh não!
JW: Mas ela estava tipo “eu vou direto no Jordan”.
NS: Ir direto no Jordan. Mas ele estava com a tia dele, que agora é a minha tia. Tia Paula, um salve, tia Paula. E eu pensei que eles eram irmãos, e eu fiquei “oh esse é o seu irm…” Eu não sei, eu acho que estava tentando me entrosar com a tia, sabe? E ele era muito reservado, muito reservado e quieto. E eu fiquei intrigada com ele, tipo “esse cara é estranho”. E aí eu descobri que ele era jogador de futebol e fiquei “ohh, não sei não.” (…) Eu acho que eu tinha essa ideia na cabeça de como seria um jogador de futebol, e eu fiquei “ah não”, mas depois eu fui ficando “na verdade ele é bem legal”.
L: Ele deve ter um físico muito bom, né?
JW: Nossa, minha mãe fazendo as perguntas que nós…
NS: O físico é importante!
L: O físico, ele é um jogador.
NS: E tem algo sobre a forma de um homem.
JW: Qual a altura dele?
NS: 1,90.
JW: E você é miudinha.
NS: Eu sou…
JW: Você tem que subir num degrau para beijá-lo. (…) Ok, então ele não falava muito. O que aconteceu no primeiro encontro?
NS: Eu lembro do primeiro encontro. Nós fomos para um restaurante italiano perto da casa dele.
L: Italiano? Não era um Pizza Express?
NS: Eu amo o Pizza Express, aliás. E eu estava tão nervosa que eu não… porque ele me viu em tantas situações diferentes, todo mundo me conhece pelo tanto que eu consigo comer. Eu como muito, eu consigo comer mais do que o meu marido, eu consigo comer mais do que qualquer um. E se eu estiver com fome eu posso comer muito. E ele me viu em ação e eu sou como um filhote de dinossauro quando eu como. Mas como eu estava muito nervosa eu comi só uma fatia e eu acho que ele ficou meio “o que tem de errado com ela? Por que ela não está comendo?” E isso porque… tudo o que eu lembro é que eu estava tão nervosa que ele me levou para casa e eu estava muito nervosa, e eu só corri para dentro de casa.

JW: Voltando para a sua infância, sua mãe cozinhando pratos britânicos. Qual era o seu favorito?
NS: Meu favorito era… e eu acho que está sempre ligado a memórias. Era um assado no domingo, depois da igreja. Sempre, a igreja sempre está presente.
L: E como vocês faziam isso, com a igreja? Porque eu…
JW: Ela deixava pré-assado.
NS: Não era tão sofisticado.
L: Vocês iam à igreja, que horas a igreja terminava?
JW: Porque você é a filha dos pastores, então…
NS: 12h30?
L: E ela tinha que preparar a comida?
NS: Sim, então ela ia direto pra casa, colocava o frango no forno. Ela saía da igreja mais cedo.
L: Isso é o que as mulheres têm que fazer, precisam sacrificar…
NS: O seu momento de socializar depois da igreja. (Gargalham) Então ela ia pra casa, colocava o frango no forno, e a Mauryn sempre vinha.
JW: Quem é Mauryn?
NS: Ela era a senhora da igreja, que…
L: Era solitária?
NS: Sim, ela vivia sozinha, ela era muito uma dona de gatos. Mas ela era incrível, ela era muito forte, e eu sempre lembro da gente preparando o frango juntas. Cortando o frango juntas. E eu já comia muito. A pele, a pele é a minha parte favorita. Então essas memórias sobre o assado de domingo. É engraçado. Minha refeição favorita são ou os curries indianos ou um assado inglês bem feito. Eu amo um assado inglês.
JW: Você faz bem algum desses? Você é uma boa cozinheira?
NS: Eu sou… ok. Eu acho que naturalmente eu sou uma boa cozinheira, mas eu não investi tempo nenhum nisso.
JW: Mas eu não sei, você pode agora comprar os seus assados.
NS: Não, eu faço um bom assado. Curry é algo que eu ainda não… Eu sei como fazer um curry básico.
JW: Tem algo a ver com a estação da pimenta, com o período…
NS: Tem.
L: Eu não acho que eu seja a melhor cozinheira para curry.
JW: O seu curry não é o melhor.
L: Mas eu acho que fazer um assado com manjericão, é o meu favorito.
NS: Como você faz batata assada?
JW: Ela fez umas muito boas esse ano.
NS: Ok, eu preciso saber.
L: (…) Eu acho que o segredo, pra mim, tem sido usar óleo de colza. Óleo de colza pode chegar a temperaturas mais altas.
NS: Quais batatas você usa?
L: Maris Piper.
NS: É a Maris Piper, né. Eu tentei algumas diferentes, mas Maris Piper é a correta.
L: Ferve elas e deixa cozinhar por uns três ou quatro minutos depois que ferver.

JW: Eu quero saber: pra qual restaurante você vai assim que eles começarem a abrir?
NS: Ok, eu amo comida japonesa. Ao Roka.
JW: Eu nunca fui ao Roka! (…)
NS: Eu amo comida japonesa. Minha nossa. Eu quero ir a tantos lugares.
JW: Tem muitos perto da sua casa?
NS: Não são muitos. Tem o Sheesh.
JW: Minha nossa! Eu ouvi falar desse! É bom?
NS: Sim, é ótimo. Eu amo como eles fazem a salada, é ótimo. E eles costumavam fazer um pudim de pão, mas eles não fazem mais, o que é tão triste porque era o meu favorito.
JW: Por que você não traz de volta?
NS: Eu não sei porque eles tiraram! Era tão popular.
JW: Seria bom se Naomi Scott trouxesse o pudim de pão de volta.
NS: Eu tenho que tentar alguma coisa?
JW: Sim.
NS: Fora isso, não tem muitos lugares para comer perto de casa.
JW: Então você cozinha muito?
NS: Sim! Nós cozinhamos também.
JW: O Jordan cozinha bem?
NS: Sim, ele é um bom cozinheiro. Então, no meio da semana é mais… salmão cozido, batata doce…
JW: Mais simples.
NS: Mais simples.

JW: Eu quero te perguntar. Fazer podcasts é como uma nova aventura para você. E pelos três primeiros episódios, é muito bom.
NS: Obrigada!
JW: É muito bom! E eu não costumo escutar ficção.
NS: Nem eu!
JW: (Gargalha) Ok, então você está estrelando nele mas também produzindo. Você que escreveu? Quem escreveu?
NS: Não.
JW: Como isso surgiu?
NS: Ok, então, como você, eu nunca tinha escutado um podcast narrativo. Mas eu estava gravando um filme no final do ano passado.
JW: Você pode dizer qual é?
NS: Sim, se chama ‘Distant’, com o Anthony Ramos. Eu não sei se vocês viram Hamilton.
JW e L: Sim!
NS: Ele também está em In The Heights, que está pra sair. Ele é muito, muito talentoso. Ridículo, irritantemente talentoso.
L: Ele dança ou canta? Parece que ele tem um estilo de hip hop em tudo.
NS: Sim, eu diria que ele tem jeito pra hip hop… Mas sim, ele é um bom dançarino. Ele é um ótimo cantor, um incrível cantor. E ele também é muito talentoso como ator. E nesse filme nós temos duas pessoas no espaço, muito bom para o contexto de covid. Foi gravado em Budapeste e o produtor com quem estávamos trabalhando tem essa empresa de podcast chamada QCode e eu estava, basicamente, falando o tanto que eu amo a Olivia Cooke, mas nós sempre estamos fazendo testes para os mesmos papéis, então nós nunca…
JW: Sério?
NS: É, e a gente nunca trabalhou junto, e ele falou “Talvez eu tenha algo em que vocês possam trabalhar juntas”, então ele nos mandou essa história curta, e tivemos uma reunião no zoom com o roteirista, James Bloor, então ele é o criador, James Bloor. E ele é um ator e escreveu esse roteiro para o namorado que ele acabou terminando com ele depois, e esse roteiro era sobre a sua jornada pessoal, tem muito a ver com saúde mental e ele seria capaz de falar muito melhor sobre isso, mas o que nós amamos no projeto foi que tinha um tom tão específico. Então o estilo de escrita, de comédia sombria, é tão britânico, tão engraçado, tendo tantas conversas diferentes. E é tão único que ficamos “minha nossa, eu amei isso. Eu tô dentro.” Então a Olivia já estava comprometida com o projeto e nos conhecemos pelo Zoom e conversamos, estávamos todos muito entusiasmados com o projeto. E tinha um terceiro papel que estávamos falando sobre quem assumiria e a candidata principal era a Bel Powley. Eu a amo desde ‘O Diário de Uma Adolescente’.
L: Ela é tão boa…
JW: Quão boa ela é em ‘O Rei de Staten Island’?
NS: Eu não assisti ainda!
JW: Minha nossa! Ela é incrível!
NS: Eu vi os trailers! A propósito, ela tem o meu coração. Eu amo e respeito muito as duas. E foi tão legal porque nós todas meio que tentamos os mesmos papéis e é muito legal estarmos juntas e ficar “Podemos trabalhar juntas. Estamos produzindo.” E nós acreditamos. Não conhecíamos muita coisa sobre podcasts narrativos, mas sabíamos que esse era muito bom e é definitivamente algo de que gostaríamos de fazer parte. E o que a QCode faz é que eles tem esse podcast narrativo e eles conectam com atores, e aí dá pra vender como uma série de TV e é uma prova real.
JW: Eu posso imaginar como uma série de TV, estrelando…
NS: Sim, e meio que essa é a ideia. Nós amamos. E quando você está participando de algo, especialmente produzindo, você tem que acreditar tanto nisso, e nós amamos tanto o projeto.
JW: Então, antes de você chegar eu tentei explicar na introdução. Mas quando eu expliquei, minha mãe ainda não ouviu, mas ela falou que seria sobre esquizofrenia. Eu não sei se é.
L: É sobre as vozes na sua cabeça, né. Ou sobre lidar com o ego. Me disseram que o jeito que os pais criam os filhos… você não vai ter seus pais com você quando for adolescente, você tem que tomar decisões, mas seu pai está sentado no seu ombro te dizendo o que fazer e o que não fazer. As coisas boas e as coisas ruins. E as coisas ruins são as pessoas te empurrando e dizendo “vai lá, tenta isso”, e a coisa boa sou eu sentada no ombro da Jessie, dizendo “não faça isso”.
JW: É uma abordagem muito esperta para tratar esse diálogo interno, esse conflito, a moral e a ansiedade. É incrível que com episódios curtos você se comprometa com esses personagens. Olivia Cooke faz a personagem da Dark Voice. Você, como Lydia. E então a Soft Voice que vem um pouco depois. É tão dinâmico. Eu imagino tudo muito bem, sabe?
NS: A nossa meta nunca foi “Nós vamos conseguir milhões de pessoas ouvindo”, o que nós queríamos é que as pessoas que se engajarem com o podcast conectem-se com ele da forma que nós nos conectamos. E é isso que estamos descobrindo. Estamos descobrindo pessoas que estão se conectando com ele e estão realmente amando. Todo mundo, desde a minha sogra até os meus amigos que são muito ligados em podcasts. São muitos temas que são abordados. E essa ideia de vozes, que também são vozes do passado… basicamente é sobre essa corretora de imóveis, 25 anos, chamada Lydia, que tem uma voz chamada Soft Voice que a diz o que fazer.
JW: Perfeccionista.
NS: Um dia, a Soft Voice desaparece e é substituída por outra voz.
JW: Serão quantos episódios?
NS: Dez episódios. São lançados às quartas. E é interessante você falar que muitas pessoas possam se conectar de alguma forma, com a conversa sobre saúde mental. E isso é algo do James, vem da cabeça dele, e são muitos temas diferentes, muitas discussões que surgem do projeto, e como eu disse é uma jornada muito pessoal.

JW: Última ceia, o que você comeria?
NS: Última ceia da vida. Eu posso escolher o que eu quiser?
JW e L: Sim.
NS: E eu posso considerar que eu não vou ficar cheia?
JW: Sim.
NS: Ok, porque eu teria… eu preciso de uma refeição assada, em algum lugar do dia. Eu preciso de um jantar assado completo, com o macarrão com queijo da minha sogra. Ela faz o macarrão com queijo mais incrível.
JW: O que ela faz para ele ser tão bom?
NS: Eu acho que tem algum segredo com a mostarda.
JW: Ah sim.
NS: Mas é tão bom! E aliás, ela não cozinha muito. Ela não cozinha.
JW: Mas esse é o ponto forte.
NS: Esse é o ponto forte, e é incrível. Então seria a versão caribenha de uma ceia de natal. Completo. Tem que ter curry em algum lugar.
JW: Seria o da sua mãe ou o da sua avó?
NS: Seria provavelmente o dahl da minha mãe.
JW: E se você pudesse colocar pimenta, colocaria?
NS: Com certeza! Quero tudo. Dahl… o que mais…. chapatis. Eu posso comer o curry no café da manhã, eu comeria no café da manhã.
JW: Eu amo curry no café da manhã também.
L: É estranho, é estranho que na Índia tem o hábito de…
JW: Não é estranho.
L: Eu acho estranho porque é uma comida muito pesada.
NS: Não, mas tem tipos diferentes, por exemplo os vegetarianos. Tem o dali, que seria dahl… e curries vegetarianos.
JW: Ok, então temos curry para o café da manhã, assado caribenho para o almoço. Pudim?
NS: Ok, nossa, eu amo a torta de banoffee da minha prima. Eu amo torta de banoffee.
JW: E o que você vai beber?
NS: Não sei.
JW: Vinho?
L: Você gosta de champanhe?
JW: Coquetéis? Gosta de coquetel?
NS: É, eu gosto de coquetel. Eu gosto de gin tônica.
L: Você tem boa etiqueta?
NS: (sussurra) Eu acho que não.
JW: Eu acho que tem!
L: Você está bem, querida.
NS: Você diz etiqueta tipo, etiqueta, etiqueta mesmo? Mas deixa eu falar, esse bolo está sensacional.
JW: Está muito bom!
L: Mas ele ficou meio molhado.
JW: Melhor do que seco.
L: Era para ficar no forno por 40 a 45 minutos mas ele ficou por volta de uma hora.
JW: Mãe, está ótimo! O Jordan gostaria de um pedaço?
NS: Quer dizer, sim. Ele adoraria.
JW: Naomi Scott, você poderia ficar aqui para sempre.
L: (sussurrando) Pergunta pra ela sobre o karaoke.
NS: Ah, eu sei qual a minha música de karaokê.
L: Ok, qual é?
NS: ‘Best I Ever Had’, do Drake.
L: Como você consegue essa? O Drake faz muito rap.
JW: Eu amei, você canta muito em karaokê?
NS: Não. Nunca, na verdade.
JW: Mas você sabia a resposta.
NS: Mas é porque, da época que eu tinha 18 anos, namorava o Jordan, eu estava gravando essa série na Austrália. E eu aprendi o rap. Ele me apresentou as músicas do Drake, no período que eu voltei para casa, nas fitas antigas dele, e eu estava tentando impressioná-lo. Fiquei aprendendo a letra de ‘Best I Ever Had’. Eu não lembro se eu gravei um vídeo ou se eu apresentei para ele pelo Skype. Mas eu vesti alguma coisa estúpida.
JW: Você apresentou pelo Skype, você é muito fofa.
NS: Foi idiota.
JW: Foi idiota, mas nós te amamos por isso.

JW: Naomi Scott, você veio aqui, bebeu um pouco, e nós te amamos muito. Você é uma incrível cantora, e espero que as pessoas escutem você cantar além de ‘Um Mundo Ideal’, eu só acho que as pessoas precisam ouvir sua voz. Ou você cantando o karaokê do Drake.
NS: Eu sei, eu estava quase fazendo o rap. (Gargalham)
JW: Muito obrigada por participar do Table Manners.
NS: Own! Obrigada por me receberem!


Tradução & Adaptação: Equipe Naomi Scott Brasil


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Naomi Scott, Olivia Cooke e Bel Powley são as estrelas e as produtoras executivas da série de podcast chamada Soft Voice. A história acompanha uma jovem mulher (Scott) com uma voz em sua cabeça que diz a ela o que fazer, guiando-a para seu sucesso extraordinário. Um dia, a voz desaparece — e uma nova voz assume. A série de 10 episódios foi criada pelo ator James Bloor (Barkskins).

Confira o resumo do quarto episódio de Soft Voice.

EPISÓDIO QUATRO – THE CRACK IN EVERYTHING

ALERTA DE GATILHO – AUTOMUTILAÇÃO

Lydia encarou a assistente da loja, aquela que tinha a mesma voz de Soft Voice. Lydia se pergunta se teria imaginado isso, ou foi somente uma coincidência ou, ainda, o efeito das drogas que usou na noite anterior. Mas a assistente soava exatamente como a Soft Voice. “Você está bem?”, pergunta a mulher para a Lydia que há pouco tempo estava num choro convulsivo, “Parece que acabou de ver um fantasma.” Lydia deixa escapar um comentário incompleto sobre a voz da assistente, mas quando a última pergunta “O que que tem a minha voz?”, Lydia por pouco não diz que parece com a de Soft Voice, disfarçando em seguida ao se recuperar levemente do transe, dizendo que a voz da assistente parece com a de uma amiga dela, Sophie. Pela reação de Lydia, a simpática assistente pergunta gentilmente se Sophie havia morrido, mas Lydia nega: “Se mudou para longe.”

O rosto da assistente, como nos diz Dark Voice, era uma versão jovem de uma face anciã, com olhos gentis. Quando Lydia diz não ter nada, a assistente concede que ela levasse o manjar turco sem pagar. Apesar de todas as preocupações de Lydia sobre sair sem pagar e sobre os sensores de segurança, a assistente garante que não haverá problemas. “Você está bem?”, pergunta a assistente, e Lydia diz que sim, então a assistente comenta sobre Lydia a estar encarando e a mesma pede desculpas. “Não, é legal. Você tem um rosto bonito”, diz a atendente, que logo se apresenta como Jean. Após se apresentarem uma à outra, Jean diz “Olá, Lydia”, exatamente igual à Soft Voice. Com a voz embargada, ainda fungando e de joelhos no chão, Jean conclui que Lydia talvez precise de um abraço, “Mas temo ser pouco profissional te abraçar aqui. Eu já ultrapassei o limite do profissionalismo ao sentir dózinha de você e te dar o manjar turco de graça. Mas talvez possamos nos encontrar depois, e aí eu poderei te dar um abraço.” Lydia consegue o user do instagram da Jean, que estava na embalagem do manjar turco, pois ela gosta de colocar o user em alguns itens da loja para que mais pessoas a sigam.

Saindo da loja, Lydia e Dark Voice conversam um pouco. “Por que a Jean soa exatamente como a Soft Voice?”, pergunta Lydia, mas Dark Voice apenas responde que essa é uma ótima pergunta.

Lydia cria uma conta no instagram e adicionou a conta @jeansblood, e enviou uma DM. Jean respondeu instantaneamente, convidando-a a jogar boliche com ela.

No boliche, Jean conta jogar todo sábado, e pergunta o que Lydia faz aos sábados. “Aos sábados eu costumo… visitar minha avó”, conta. Jean mostra-se interessada, pergunta sobre a avó dela e comenta que gostaria de ter uma avó também. Lydia responde que ela está bem, e logo se dá conta de que é a sua vez de jogar. Errando feio, Jean sugere que ela usasse a tabela lateral. Jean flerta com ela, e Lydia acaba concordando em usá-la. Ao seguir as instruções de Jean, Lydia faz um strike. “Ela tenta, ela consegue.” Jean fala exatamente como Soft Voice, e Lydia sente-se bem com isso. “Toca aqui”, Jean diz, mas Lydia conta só ter feito ‘toca aqui’ consigo mesma. “Isso é uma palma”, diz Jean, “um toca aqui é uma palma entre duas pessoas”. Lydia tenta, mas erra, então Jean pede para que Lydia a olhasse nos olhos pois os olhos são cheios de sabedoria. Lydia obedece e consegue fazer um toca aqui com ela. Jean convida Lydia para ir ao museu no dia seguinte.

As duas observam um auto-retrato de Caterina van Hemessen, então Jean fala sobre ser impossível ver o seu próprio rosto, que as pessoas ao seu redor o vêem a todo momento, mas você nunca o verá como elas pois o reflexo do espelho não equivalem à realidade. “É como um poema”, diz Jean sobre o rosto. Lydia percebe que ela gosta de poemas, pois lembra de ver alguns no feed de Jean. Jean diz gostar de escrever poemas.

Então pergunta “Quem você acha que a Caterina van Hemessen enxergou ao olhar seu porta retrato?”, e Lydia responde, incerta: “ela mesma”. Jean, por outro lado, diz achar que ela viu o pai através dos olhos e a mãe através da boca. “Eu sei o que você quer dizer,” diz Lydia, “às vezes quando eu me vejo no espelho eu enxergo minha mãe, nos olhos. E ao sorrir, eu sei que pareço com ela. Eu posso sentir. E quando eu choro é a mesma coisa. E no rosto da minha mãe eu consigo enxergar minha avó. Apesar de que recentemente ela…” “Morreu?”, pergunta Jean, e Lydia responde: “Se mudou.” Jean conta não enxergar ninguém além de si mesma, uma vez que fora adotada.

Jean comenta que a outra obra parece sentir-se culpada. E é quando Lydia revela: “Eu acho que matei a minha avó semana passada. Acidentalmente.” Rapidamente explica o que aconteceu e Jean diz que essa história não soa realista. “Você tem alguma prova?”, pergunta Jean, “Como um corpo?” Lydia diz que o corpo dela foi levado pelos amigos, mas que ela tinha a confirmação das duas passagens para Berlim no email. “Você não pode confiar em emails, Lydia”, diz Jean, “Parece que está tudo na sua cabeça”. Lydia se convence de que vó Night Night está bem, provavelmente onde ela deveria estar: sentada na cadeira, em seu quarto do asilo. “Posso te contar uma coisa, Lydia?”, começa Jean, “Se algum dia eu for uma avó, eu quero ter uma neta igualzinha a você”.

Dark Voice nos conta que Jean fez a Lydia sentir-se segura. No caminho de casa, Lydia parou no mercadinho e encarou os iogurtes, certa de que Jean saberia o iogurte certo para escolher. “Jean não é a Soft Voice, Lydia”, diz Dark Voice, e Lydia rebate: “Eu pedi a sua opinião?” As duas começam a discutir, com Lydia insistindo que a Jean é a Soft Voice. Dark Voice insiste para que Lydia parasse de encontrar a Jean, esquecesse dela, pois ela não seria boa para a Lydia, mas elas são interrompidas pelo telefone. É Sônia, a mulher do asilo, avisando ter fotografias das câmeras de segurança onde mostravam Lydia raptando a avó. Lydia desliga antes que ela terminasse de falar. “Eu vou ligar para a Soft Voice”, diz Lydia, e Dark Voice corrige que ela estará ligando para Jean. Elas combinam de se encontrarem na quarta-feira, com Lydia ignorando as súplicas de Dark Voice para que ela não se encontrasse com Jean.

Elas vão para a praia e Jean a chama para entrar na água. A água é gelada e Jean continua a chamá-la. Dark Voice murmura que isso era estúpido, tentando impedi-la. Diz que Lydia não consegue nadar, que vai pegar hipotermia, mas é totalmente ignorada: Lydia pula na água. Depois disso, Jean a chama para que comam peixe frito com batata frita.

As duas vão gostando cada vez mais da presença da outra. Na hora de fazer o pedido, Lydia pergunta a Jean qual peixe ela acha que Lydia deveria escolher, e escutamos Dark Voice murmurando “Isso me deixa tão triste, Lydia. Estávamos prestes a fazer uma viagem à América do Sul para ver as jaguatiricas e agora você voltou para o estágio um: obedecendo os outros, sem nem saber o porquê”.

Enquanto elas comem o peixe frito com batata frita, uma gaivota rouba o peixe de Lydia. Jean oferece um pouco do próprio, dando-lhe de comer na boca. Então chama Lydia para ir na montanha russa.

Lydia agradece por Jean ter bancado tudo, e conta estar desempregada. É quando Jean informa que a loja na qual ela trabalha está contratando pessoal. O telefone de Lydia começa a tocar, era sua mãe, e apesar de não atender, Lydia conclui que a Sônia (do asilo) ligou para a sua mãe e agora sua mãe ligava para ela, sabendo de tudo o que ela fez com sua avó. Mas Jean a tranquiliza, dizendo que se a Sônia tem a gravação de Lydia raptando a avó, também terá a gravação dela mesma aceitando o suborno, então não pode delatar Lydia sem se meter em encrenca. Sentindo-se mais tranquila, Lydia agradece, e Jean completa: “Não soou como se você tivesse sequestrado sua avó. Soou como se você estivesse ajudando-a a fugir.”

As duas vão para a casa de Jean. “Poderia tirar os sapatos?”, pede a anfitriã, e Lydia sente-se tão bem por obedecer a ela que pede que Jean repetisse a frase. Jean ri da situação, mas faz o pedido outra vez, logo comentando: “Você é um mistério”.

Jean chama Lydia até o quarto, cheio de poemas autorais nas paredes, e diz: “Eu vou me despir. Talvez você devesse também”. “Você gostaria disso?”, questiona Lydia, recebendo confirmação de Jean, então pede para que Jean comandasse o que ela deveria fazer. Jean vai guiando-a, dizendo que ela tirasse cada peça de roupa. Então traz uma loção hidratante. “Ela passa a loção no corpo”, diz Jean, “ela faz isso sempre que é comandada”. “Eu gosto de ser comandada”, diz Lydia, e Jean responde: “Eu percebi.” Jean pediu que Lydia fechasse os olhos, e quando pediu para abrí-los, Lydia percebeu que o rosto de Jean estava muito perto do seu. E Jean a beijou, gentilmente. Lydia nunca havia beijado uma mulher antes. E nunca havia sorrido durante um beijo. E ela sentia que Jean sorria também. Os corpos bagunçaram os lençóis, e Lydia percebe gostar de quando Jean brinca com seus cabelos. “Deixa eu fazer cafuné em você”, sugere Jean. Lydia gosta de todas as sensações e diz sentir-se muito à vontade com Jean, e esta diz sentir o mesmo com Lydia, completando: “Eu sei que te conheço só há alguns dias, mas eu sinto que te conheço há anos”. É no meio do cafuné que Jean percebe um pequeno buraco no topo da cabeça de Lydia.

“Bingo”, diz Dark Voice, levando-nos para dentro da cabeça de Lydia.

“Olá, Lydia” ela diz, “não nos falamos há muito tempo. Eu tenho uma coisa para te mostrar. Uma coisa que eu encontrei. E que estava escondida”, Lydia pergunta do que se trata e Dark Voice revela ter encontrado uma lembrança que Lydia havia esquecido.

“Esse é o meu banheiro. Sou eu. Estou me olhando no espelho. Meu rosto parece uma trovoada”, Lydia diz enquanto observa a lembrança, “eu estou cortando um pedaço do meu cabelo no topo da minha cabeça. E agora eu estou pegando um… O que é isso?”, e Dark Voice responde: “‘Isso’ é uma furadeira sem fio de 18 Volts, com dois milímetros de broca de carboneto de tungstênio.” “O que eu estou fazendo?”, pergunta Lydia, “Eu estou colocando a furadeira na cabeça”. Escutamos a voz distorcida de Lydia em sua lembrança, gritando: “Eu te odeio! Saia! Saia de mim! Saia da minha cabeça!”. A Lydia da lembrança aperta o gatilho e escutamos o som da furadeira.

“Lydia?”, chama Jean, e voltamos à tranquilidade do quarto juntamente de Lydia, “Você está bem?” Lydia diz que sim, mas Jean mostra-se preocupada e pergunta o que aconteceu. Lydia diz ter imaginado algo horrível: que furou a própria cabeça. Jean afirma que realmente parece um buraco de furadeira. Lydia fica bastante preocupada, mas Jean diz que ela não precisa se preocupar, explicando que trata-se de uma das mais antigas técnicas medicinais do mundo, chamada trepanação. Sobre a finalidade da técnica, Jean diz que é feita para “deixar algo sair, ou deixar algo entrar. […] Oxigênio, espíritos malignos…” Jean diz que Lydia precisa descansar, e que ela escuta podcasts antes de dormir. As duas dividem um fone.

Elas se aconchegam e o podcast começa com um alerta de gatilho sobre temática adulta e violência. “Jean?”, Lydia chama baixinho, “Isso vai ser assustador?”, e Jean responde num sussurro: “Um pouco. Mas eu vou te proteger.”


Tradução & Adaptação: Equipe Naomi Scott Brasil


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Naomi Scott concedeu uma entrevista para o quadro Ladies Night do site Collider como forma de divulgação do podcast Soft Voice. A entrevista foi dividida em uma série de vídeos onde Naomi conta sua jornada no entretenimento até agora.

Naomi Scott fala sobre sua cena cortada no filme ‘Perdido em Marte’

Você sabia que Naomi Scott aparece em Perdido em Marte? Não? Eu também não – não até que comecei a me preparar para o episódio do Collider Ladies Night e me deparei com um clipe dela discutindo o filme no Jimmy Kimmel Live. Acontece que ela teve um pequeno papel no sucesso de bilheteria de 2015 e indicado ao Oscar, mas a cena que a apresentaria mais fortemente acabou sendo cortada do filme.

Coisas assim acontecem o tempo todo, mas temos que imaginar que seria uma grande chatice ser cortado de um filme de Ridley Scott, especialmente considerando que Perdido em Marte foi um dos primeiros grandes trabalhos de Naomi em Hollywood. Ela iria causar uma grande impressão em Power Rangers de 2017 e impressionar o mundo no filme live-action Aladdin, mas aparecendo em The 33 e Perdido em Marte no mesmo ano? Isso poderia ter sido um começo empolgante para a carreira de Scott no reino do cinema.

Se você assistiu a algum episódio do Collider Ladies Night, provavelmente sabe que gosto de falar sobre obstáculos no caminho para colocar o foco em como os cineastas os superaram e, com certeza, Scott não decepcionou nesse departamento. Começamos nossa parte marciana da conversa repassando exatamente o que foi cortado do filme.

“Houve uma cena de diálogo e então eu estava em outras cenas, mas apenas lá. Então houve uma cena de diálogo. Era um jargão científico. Ridley Scott estava atrás dessa cortina e eu simplesmente, cara, eu simplesmente engasguei. E você sabe o que? Eu acho que é tão importante falar sobre momentos em que você engasga, porque eles realmente informam suas experiências e realmente o forçam a reconciliar quaisquer que sejam essas inseguranças que você tem e enfrentá-las.”

Como alguém que sempre tenta se lembrar de que não há falhas, apenas lições, agradeço muito a interpretação positiva que Scott dá à experiência agora. Mas naquela época – e enquanto trabalhava com Ridley Scott, no entanto – era difícil. Ela continuou:

“Qualquer pessoa lá fora, em qualquer área de trabalho, e você pensa naquela época em que você queria que o chão o engolisse, deixe-me dizer a você, todos nós já passamos por isso. Eu passei por isso na frente de Ridley Scott. [Risos] Eu estava sufocando. Eu não conseguia pronunciar essas palavras. Eu não conseguia pronunciar essas palavras de jargão. E eu literalmente lembro de pensar, genuinamente na minha cabeça, ‘Sabe aquela frase, eu quero que o chão me engula? Na verdade, eu quero que o chão me engula agora mesmo.’”

No final das contas, porém, Scott chegou lá e deu a Ridley Scott e a equipe uma filmagem utilizável. Mas as cenas foram cortadas do filme por vários motivos e Scott suspeita que, no final, seu grande momento simplesmente não foi tão necessário:

“Quero dizer, se eles quisessem usar, eles teriam usado. Acho que provavelmente foi uma combinação do fato de que eles não precisavam disso. No entanto, o fato de eu saber que estava tão nervosa e que eu engasguei, provavelmente estava tipo, no fundo da minha mente, ‘Sim, não sei se vou estar neste filme.’”

Com certeza, ela não foi para a edição final e ela não soube disso até a exibição do filme para o elenco e equipe técnica. Scott continuou assistindo ao filme, esperando por seu grande momento e então finalmente se pegou pensando: “Oh, ok. Eu não estarei nos créditos, então, acho que não estou nisso.” Novamente, ela pode ter se decepcionado na época, mas Scott é capaz de relembrar a experiência com uma risada. Aqui está o que ela disse quando questionada se é típico não ser avisado quando você é cortado de um filme:

“Eu era apenas este pequeno papel. Eles não se importaram. Talvez se você for o protagonista em alguma coisa. Eu não levaria essas coisas para o lado pessoal, você sabe o que quero dizer? Eu ri disso. Voltei para a minha sogra – esta é a melhor coisa – voltei para casa, fui para a dela porque estávamos lá e ela abriu a porta e disse: ‘Você é uma figurante?’ porque literalmente no filme há uma foto minha com este boné e estou assim. Foi tipo, em um segundo!”

Scott já havia enfatizado o valor de aprender com os desafios durante nosso bate-papo, mas focar em Perdido em Marte também levou a uma discussão sobre como lidar com a dúvida e destacando que o caminho de todos neste setor é diferente, e tudo bem.

“Mas foi um momento divertido! Tive que ir a Budapeste por alguns dias com minha prima, Tiff. Foi divertido. Mais uma vez, você aprende! Mas genuinamente eu estava tipo, ‘Ok, o que aconteceu?’ E eu percebi, eu não acho que merecia estar lá. Ainda hoje tenho momentos de síndrome do impostor completa e absoluta. Apenas, ‘Como vim parar aqui? Eu não fui para a escola de teatro.’ A propósito, essas não são coisas em que eu necessariamente acredito e dou crédito, mas já passei por isso e muitas vezes sua mente volta para lá. Você apenas tem que forjar continuamente um tipo diferente de caminho neural em termos de onde sua mente vai. Eu me sentia uma estranha nesse sentido, e não cresci lendo Shakespeare, não fiz teatro, todas essas coisas que passam pela sua mente em termos de ‘Oh, isso deve significar que não sou uma verdadeira atriz.’ Quanto mais você percebe isso, mais tempo você gasta fazendo isso, menos tempo você realmente gasta descobrindo, aprendendo e crescendo e realmente se tornando o artista que deseja se tornar e não apenas o artista que você pensa onde deveria estar. ‘Oh, eu deveria ser como essa pessoa’, ou todas essas pessoas que você admira e pensa: ‘Como faço para chegar lá?’ Mas apenas a versão de si mesmo. Agora, mais do que nunca, há muito apetite por especificidade. Não apenas especificidade em termos do conteúdo que assistimos, mas especificidade em termos de jornada de como você chegou lá como escritor, ator, diretor. Não existe uma maneira. O seu pode ser único e se inclinar para a sua singularidade. Mas é uma coisa que eu tenho que dizer a mim mesma!”

Não deixe de conferir a nova série de áudio/podcast de Scott, Soft Voice, que também é estrelada por Bel Powley e Olivia Cooke. Os três primeiros episódios estão disponíveis onde você prefere ouvir seus podcasts.


Fonte: Collider
Tradução & Adaptação: Equipe Naomi Scott Brasil