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Quando Olivia Cooke começou a desenvolver Little Fish com o roteirista Mattson Tomlin, a meta deles era pegar uma premissa rebuscada e justificá-la em algo mais reconhecível. Ao invés disso, o gancho da história de ficção científica — uma pandemia de uma doença semelhante ao Alzheimer que causa rápida perda de memória — deu ao filme uma oportunidade acidental que a atriz de 27 anos, que também ocupa o cargo de produtora executiva, está tentando compreender. Cooke interpreta uma metade de um casal que está lutando para lidar com seu marido (Jack O’Connell) que é dominado pela doença. Para Cooke, que se estabeleceu na TV com sucessos como Me Earl and the Dying Girl e Thoroughbreds, o filme vem nos saltos de sua performance visceral no assustadoramente semelhante Sound of Metal, onde ela interpreta a cantora principal do grupo de rock pesado chamado Backgammon, cujo baterista (Riz Ahmed), com o qual ela está romanticamente envolvida, começa a perder sua audição. A seguir, a nativa de Manchester irá sair da curva do universo indie ao se preparar para gravar seu papel como Alicent Hightower, na prequel de Game of Thrones, a enormemente antecipada House of Dragons. Mas por hora, ela só está passeando na sua região em Londres, que é onde ela se associou com a sua amiga, a atriz Naomi Scott, com quem está começando um podcast para discutir, dentre outras coisas, os altos e baixos em ser uma atriz.

NAOMI SCOTT: Olivia Cooke, isso é divertido. As pessoas te chamam de Liv, Livvy, como é o esquema?

OLIVIA COOKE: Livie quando eu era criança. Meu primeiro nome no MSN era Livieyaxx. Eu era tão danadinha. E agora as pessoas só me chamam de Liv.

SCOTT: Eu tenho a sensação de que muitas pessoas não sabem que você é de Manchester, porque você está sempre fazendo um sotaque americano. As pessoas chegam em você e pensam que você é americana?

COOKE: Na América. Eu normalmente nunca sou reconhecida, mas quando eu sou é comumente por pessoas que pesquisaram um pouco. Mas os ingleses realmente não tendem a chegar em você.

SCOTT: Eles são muito esnobes. Na América eles ficam tipo, “Oh meu Deus,” enquanto que aqui, eles ficam “Eu sei quem você é, mas eu não vou falar porque eu sou muito orgulhoso.”

COOKE: Eu prefiro assim porque eu fico agoniada e envergonhada.

SCOTT: Eu consigo imaginar você sendo alguém que não se sente super confortável com isso. Você me faz pensar que você não é do tipo que se diverte com essa atenção. Estou certa?

COOKE: E quem se diverte?

SCOTT: Ah, tem alguns. Qual é.

COOKE: Você não me parece esse tipo de pessoa também.

SCOTT: Eu gosto de um momento com uma criança, o que é adorável, mas não, eu sou muito britânica nesse sentido também. Eu acho que somos provavelmente parecidas. Mas tem alguns atores que se divertem com essas coisas.

COOKE: Aí você começa a imaginar se eles estão lá pelas razões corretas.

SCOTT: Bom, essa já é outra conversa. Você sente falta de Manchester?

COOKE: Eu sinto falta da minha família, mas não de Manchester. Eu saí quando tinha 18 anos. Eu não conheço tanto assim de lá mais, e os anos que eu passei lá, meus anos de formatura, eu me sinto mortalmente envergonhada pelo meu comportamento de lá.

SCOTT: Como você era?

COOKE: Muito selvagem.

SCOTT: Quando você diz selvagem, do que estamos falando?

COOKE: Uma garota festeira. Identidade falsa, bronzeado falso, coisas assim.

SCOTT: O que você vestia?

COOKE: Um vestido tubinho.

SCOTT: Você não era uma garota de vestido tubinho.

COOKE: E saltos agulha, aos 16 anos. Isso é vergonhoso.

SCOTT: Isso é incrível. Eu vou precisar de provas fotográficas disso.

COOKE: E depois eu era uma boa garota, porque eu comecei a trabalhar. Agora eu achei de volta um pouco de diversão na minha vida, mas não de um jeito autodestrutivo.

SCOTT: Eu e meu marido estivemos jogando gamão. Esse é o máximo de agitação que chega durante essa quarentena. Toda noite nós olhamos um para o outro e ficamos tipo “Vamos jogar gamão?”

COOKE: É loucura, porque é como se a nossa juventude tivesse fugido um pouco.

SCOTT: Tem alguma coisa que você sempre quis fazer, mas sempre postergou, e que você planeja tentar fazer em breve?

COOKE: Viajar por conta própria. Eu viajei muito, mas é sempre a trabalho, o que não é tão divertido. Você é contratualmente obrigado a não se meter em encrenca, então não esquie, não faça rafting, não faça nada que tenha a possibilidade de você quebrar um osso.

SCOTT: Eu estou nos meus 27 anos, onde eu começo a entender o que me gravitaciona ao redor de um projeto. Eu sempre admirei as suas escolhas, mas como eu estou interessada nos seus processos, como você decide aceitar um papel, seja isso lutar por ele ou aceitar um que lhe foi oferecido?

COOKE: Essa é uma pergunta muito boa à qual eu não sei a resposta. É mais instintivo e profundo. Eu acho difícil de intelectualizar como eu me sinto sobre os projetos, especialmente quando eu estou falando com os agentes e os gerentes sobre a razão de eu não querer realizá-los. A escrita precisa ser excepcionalmente boa, e eu sempre busco pelo passado das pessoas envolvidas, porque se eu ouvir de muitas pessoas que alguém é um idiota, bem, a vida é muito curta.

SCOTT: A vida é muito curta.

COOKE: Eu costumava pensar que fazer um projeto era como a Terra do Nunca. Você poderia deixar a sua própria realidade para trás por alguns meses. Mas eu percebi que eu provavelmente continuarei fazendo isso por muito tempo, então a minha vida tem que ser abrangente nessa área. Eu não posso simplesmente compartimentalizar o trabalho e a minha vida, então eu tenho que sentar e pensar, “Essa experiência inteira é benéfica para a minha vida, e o que eu quero dizer sobre o mundo no geral? Isso é algo pelo qual eu quero me doar?”

SCOTT: Eu sou que nem você. Eu quero doar a energia e o sangue, o suor, e as lágrimas que isso exige, e eu quero colocar isso para o mundo? Eu acredito no que está sendo dito? Eu acredito no vislumbre, seja do diretor ou do roteirista? É mais ou menos onde eu estou agora. Em termos de Sound of Metal, como que isso veio à tona?

COOKE: Isso veio à tona porque a outra atriz deixou o papel. Eu sou o rei em preencher o espaço.

SCOTT: Essa é literalmente a minha vida. É assim que funciona, bebês.

COOKE: Mesmo que me ofereçam um trabalho em primeira mão, eu fico “Eles provavelmente queriam a Emma Watson.”

SCOTT: [Gargalha]

COOKE: Meu agente me ligou meio ansioso, e falou, “Eu quero que você conheça o diretor [Darius Marder] amanhã, porque eu achei o roteiro incrível.” Eu voei de volta de L.A. para Nova Iorque para conhecê-lo, e eu li o roteiro no avião. Ele não só explorava uma cultura para a qual eu era tão ignorante, mas explora a codependência e o vício e isso é realmente sincero, de um jeito matizado. Eu estava chorando tanto que a aeromoça passou e me entregou um pedaço de chocolate. Eu conheci o Darius no dia seguinte, e eu tive uma pequena ressaca emocional do dia anterior, então eu só falei muito sobre como eu amei o roteiro. Eu provavelmente o agradei porque uma semana depois ele me ofertou o emprego.

SCOTT: Era tudo o que você precisava, e você precisou fazer muito… como é o nome, aquele tipo de cantar gritando?

COOKE: Gritar. A pessoa que me ensinou a gritar, Margaret Chardiet da banda Pharmakon, é o verdadeiro sucesso. Ela tem esse som industrial bem bacana e é uma gritadora. Ela me levou a um estúdio em Bushwick, e ficava, “Grita agora.” Era tão vergonhoso, e aí ela ficou, “Eu vou fazer isso com você.” E então estávamos gritando juntas nessa célula acolchoada.

SCOTT: Eu sei que existe uma certa técnica no metal para não destruir a sua voz.

COOKE: Eu fiquei sem voz, mas era uma questão de honra.

SCOTT: E é claro que a estrela do filme foi a sua sobrancelha.

COOKE: É tão engraçado, a infâmia que essas sobrancelhas receberam porque eu realmente achei que estava tão foda com elas.

SCOTT: Eu sinto como se você estivesse na capa de i-D pela primeira parte do filme. Eu não pude assistir Little Fish porque não está disponível por aqui, mas é sobre uma pandemia, o que é estranho. Vocês gravaram antes da nossa pandemia?

COOKE: Nós gravamos nove meses antes de sequer sabermos da existência do coronavírus. Eu tinha lido a história escrita pela Aja Gabel, nós compramos os direitos exclusivos, e eu e o escritor Mattson [Tomlin] estivemos trabalhando nele por dois anos antes de filmarmos, e estávamos tipo, “Isso é tão ficção científica, você consegue imaginar se alguma coisa assim acontecesse?”

SCOTT: Como foi esse processo em termos de trabalhar no projeto e descobrir como que seria como um filme?

COOKE: A escrita da Aja é tão melancólica e cinemática. A história dela retratou esse jovem casal num relacionamento tão puro, que faz o partir dos corações ser ainda mais puro quando o relacionamento começa a desmoronar porque um deles está esquecendo do outro. Não houve fraude, não houve traição, nenhum deles se desiludiu sobre os sentimentos com a outra pessoa. É só que um está começando a esquecer o outro, o que é mais comum de ver em casais mais velhos, então o fato de serem duas pessoas novas é como uma vida encurtada, de certo modo. Nós tentamos manter isso no roteiro que também tem que construir um mundo sem que esse seja muito fantasioso.

SCOTT: É como [o filme do Drake Doremus] Equals. Tem o elemento da ficção científica, mas é bem mais fundamentado. Os humanos permanecem os mesmos, independente do contexto em que você os insira.

COOKE: Nós vimos nesse último ano quão adaptáveis nós somos.

SCOTT: Eu estava no set e o elenco senta com aquelas coisas grandes de plástico em cada lado, escudos completos, e eu estava falando com uma das atrizes sobre como nós nos adaptamos tão rápido. Nós ficamos tipo, “Ah, esse é o novo normal.” Ela estava contando que uma pessoa que ela conhecia voltou para as gravações na Austrália, onde está perto da normalidade, e eles na verdade tiveram que se adaptar àquilo. Mas quão abençoadas somos por estarmos trabalhando?

COOKE: Eu sei. Eu penso nisso o tempo todo. Eu também me sinto um pouco culpada por isso.

SCOTT: Sobre o que você tem assistido, tem algo no qual você tem gravitado durante a pandemia? Por exemplo, eu maratonei Ted Lasso. Não sei se você já viu.

COOKE: Não vi.

SCOTT: É o seguinte: se você tem um lado cínico e esnobe, que eu acho que todos temos, você tem que ver. É incrivelmente puro e é como um remédio para a alma.

COOKE: Eu terminar outra série da Apple TV chamada Long Way Up com Charley Boorman e Ewan McGregor. Eles estão numa viagem pesada de bicicleta, da ponta da América do Sul, pela América Central e até Los Angeles, e é esse desejo de viajar que eu estive ansiando tanto. Eles também são homens muito charmosos atuando para a UNICEF, e eles também estão em bicicletas elétricas para avisar que eles estão tentando ser conscientes sobre o meio-ambiente. Eles estão tendo o melhor dos momentos, falando merda um com o outro. Esse senso de amizade e de ir mundo afora é algo que eu sinto muitas saudades. Eu escutei que Ted Lasso se saiu muito bem, né? Todo mundo ama.

SCOTT: Cara, assiste.

COOKE: Eu não tenho mais nada pra fazer.

SCOTT: Eu posso ser muito esnobe quando o assunto é sobre séries. Quando você assiste algo como Succession, você acha que tudo tem que estar naqueles padrões. Você esquece que existem diferentes séries para diferentes momentos e estados de espírito.

COOKE: Eu tenho ido para a cama assistindo The Vicar of Dibley.

SCOTT: Eu amo The Vicar of Dibley.

COOKE: Você assistiu recentemente?

SCOTT: Não.

COOKE: É legal revisitar. É como entrar em uma banheira de galões de chocolate.

SCOTT: Sabe o que mais eu estive fazendo? Além de usar a minha smart TV, eu estive assistindo TV a cabo, tipo BBC 1 ou BBC 2. Tem algo que me traz de volta à minha infância.

COOKE: Eu sei o que você quer dizer. É como se sentir unido ao restante da nação, tipo você sabe o que está sendo colocado nas telas de outras pessoas. Eu sei que a minha mãe está assistindo a mesma coisa em Manchester. GoggleBox também me manteve bem.

SCOTT: GoggleBox é o melhor. Quem é o seu personagem favorito? Eu sei quem é o meu.

COOKE: Eu amo os Siddiquis. Eu amo o pai. Eu amo o Giles e a Mary.

SCOTT: Eles são os meus favoritos, sem dúvidas. Eles são geniais. Tem algo de tão reconfortante nesse reality. A Interview me entregou algumas perguntas, então eu vou lê-las palavra por palavra. “Diga-nos tudo o que puder sobre House of Dragons sem comprometer seu trabalho.”

COOKE: Eu acho que eu não posso falar nada.

SCOTT: Fantástico, seguindo em frente. Durante a quarentena, eu achei o processo de audição bem divertido. Tem sido o meu escape criativo. É como, “Ah, eu posso atuar outra vez,” porque eu não pude estar em set. O que você tem achado das audições na quarentena, e qual é o seu relacionamento com o self-tape (gravação autônoma do teste de elenco), porque sendo do Reino Unido a minha carreira inteira tem sido com self-tape.

COOKE: Tem sido tudo bem, na verdade. Os prós de fazer self-tape é que você pode tentar quantas vezes quiser. Os contras são que você pode se sufocar em suas próprias neuroses. Você fica tentando se pontuar e focar em algo que ninguém mais vai perceber. Tendo estado do outro lado, você realmente só precisa de 30 segundos de self-tape. Ajudando os colegas que estão fazendo self-tapes e vendo a pressão que colocam sobre si, eu só quero dizer: não o faça. Só se divirta com isso. Você estará certo em algumas coisas mas você não estará certo na maioria delas, então pegue cada self-tape com uma pitada de sal. Não vale a pena arrancar os cabelos por isso.

SCOTT: Você está tão certa. Quanto mais eu entendo o outro lado disso, mais eu entendo quão pouco tem a ver com você. São tantas razões, mas ao invés de focar nisso, aproveite o processo de interpretar outro personagem e aprender alguns lados. Mas eu acho que você está certa quando você diz que podemos nos atracar nas coisas pequenas, porque você está se assistindo. Quando você está numa sala, é mais uma questão de energia, se você tem aquilo que eles procuram. Se conseguiu dizer as falas perfeitamente, nunca é sobre isso.

COOKE: E também, quando você está numa sala, você tem o bônus de ter química com as pessoas, mas na maioria das vezes você está tentando forjar uma ligação entre você e o diretor, e você está em desvantagem se estiver lendo para uma voz sem corpo.

SCOTT: Na verdade eu gravo as minhas. Eu amo o meu marido, mas deixa eu te falar. Quando é para ler comigo, ele é monótono. Então eu tenho que gravar minhas próprias falas no Logi.

COOKE: Meu amigo faz isso, mesmo que todos os amigos dele sejam atores, mas ele prefere assim. Ele se sente menos envergonhado, como se estivesse no tempo dele. Você gosta disso, mesmo se você tem a opção de fazer com um ator?

SCOTT: Eu não tenho muitos amigos atores, na verdade, então eu acho que faz parte, mas mesmo se tivesse eu preferiria fazer por mim mesma. Pode soar meio narcisista mas é mais uma questão de controle.

COOKE: Às vezes os diretores de elenco e os diretores são cruéis e pedem para você fazer uma cena de um verdadeiro colapso emocional, e às vezes você fica, “Eu realmente não quero fazer isso na frente do meu amigo.” Ou do seu marido.


Fonte: Interview Magazine
Tradução & Adaptação: Equipe Naomi Scott Brasil


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“Ao contrário, você só estaria vendendo um pedaço de uma mentira, não?”

É um eufemismo dizer que os últimos três anos foram bem sucedidos para a Naomi Scott. Desde conquistar o papel da Jasmine no remake em live-action, até estrelar ao lado de Kristen Stewart como uma das novas Panteras, a atriz britânico-indiana está firmemente participando das grandes ligas – e saboreando todas as oportunidades vindas de seu status de celebridade recém descoberta.

É claro, apresentações de atuação de tão alto perfil levam a campanhas e endossos de marcas lucrativas, e o último projeto da mulher de 26 anos vê seu elenco na campanha de novas jóias da Bulgari, ao lado de Zendaya e Lily Aldridge.

“É como fazer parte de uma enorme família italiana,” Scott nos contou sobre a festa de lançamento da campanha em Nova York. “Nós amamos sair juntos, comer e beber vinho, basicamente! Eles são brilhantes, são tão maravilhosos e calorosos, e realmente querem criar essa cultura de família. Eu me sinto muito sortuda em fazer parte disso.”

A seguir, a atriz compartilha o que os últimos anos a têm ensinado sobre o poder da moda, desafiar expectativas e ser verdadeira a si mesma:

É UMA HONRA SER CONSIDERADA UM MODELO – E ISSO NÃO DEVERIA SER TOMADO COM POUCO ÂNIMO

“Se eu pensar sobre quando eu era mais nova, o que eu buscava, precisava ser algo que fosse real, como alguém que esteja sendo autêntico e honesto com ele mesmo – ao contrário, você só estaria vendendo um pedaço de uma mentira, não? Isso me deixa atenta às coisas que eu falo e faço, apesar de eu não ser ordenada pelo que os outros esperam de mim. É sempre um equilíbrio, né? O equilíbrio entre entender que talvez você tenha um certo público que pode estar assistindo você e ser sensível a isso, enquanto também ser verdadeiro a si mesmo e ser quem você é.

Muitas pessoas na minha posição – e em posições muito mais extremas do que a minha – têm pessoas assistindo o que elas fazem o tempo inteiro, e eu acho que às vezes nós esquecemos enquanto observadores… Mas imagine se você se coloca nesse lugar e alguém estivesse seguindo você com uma câmera. Se todo mundo visse todas as coisas que eu fiz quando tinha 16 anos – eu não suporto pensar nisso! Então estou atenta, e eu me sinto muito honrada que as pessoas olhem para mim assim.”

VOCÊ NÃO PRECISA FAZER SEMPRE AQUILO QUE É ESPERADO DE VOCÊ

“Eu acho que os outros colocam esse rótulo [rebelde] em você, porque eles dizem, ‘você não está fazendo o que eu considero ser certo ou correto, ou seja lá como você queira chamar’. É muito relativo. Para mim, eu não me consideraria uma rebelde porque estou fazendo o que eu acho certo. Fico tipo, eu não sou uma rebelde – ‘você é um rebelde!’ Acho que existem coisas na minha vida que sejam contra-culturais; existem certas coisas que eu tento não ser tão influenciada pela cultura atual, ou por aquilo que é esperado de você. O que pode ser difícil nessa era com as redes sociais, mas às vezes você só precisa tomar essa decisão de se afastar um pouco.”

VOCÊ DEVE SE SENTIR CONFORTÁVEL PARA SE SENTIR CONFIANTE

“O modo que alguém se apresenta diz mais sobre como ele se enxerga do que qualquer outra coisa. Há uma diferença entre – e todos já estivemos lá – parecer de um jeito, ou se apresentar de um jeito, porque você está provavelmente tentando esconder algo, ou não está se sentindo tão bem, ou não se sente confiante o suficiente. Isso é diferente de, ‘Não, na verdade eu me sinto mais potente assim’. Eu percebo que se arrumar pensando ‘eu estou vestindo isso porque é isso é o que me faz sentir bem’, como o oposto de ‘estou vestindo isso porque é tudo o que eu consigo fazer, ou eu não sou boa o suficiente, ou não sou legal o suficiente’ – enquanto estiver vindo daquele ponto de vista então está ótimo. Você pode dizer quando alguém se sente confortável e sente a si mesmo.”

NÃO SE RESTRINJA QUANDO O ASSUNTO É ESTILO

“Existem tantas facetas diferentes de mim – gosto de mudar e me aventurar em coisas diferentes… Eu amo assumir riscos e eu adoro montar um visual, chegar no equilíbrio certo, e eu amo me divertir com isso. Eu realmente amo a moda e estou envolvida de verdade no processo – não é um caso de alguém aparecer, dizer ‘Vista isso’, e lá vai você.

Eu aprecio quando um visual surge e é perfeito para a ocasião. Recentemente eu vesti essa composição louca do Richard Quinn para a premiere de As Panteras em Londres – era látex preto – mas pareceu tão certo para a situação. Eu amo quando você pode ser futurista mas ainda assim fazer sentido nas configurações e no contexto.

Se vestir para encaixar com as ocasiões é algo que nós [com o estilista Zadrian Smith] definitivamente conversamos – não significa que eu vou para o tapete vermelho fantasiada como a personagem que estou interpretando, mas você quer que tenha alguma consistência. Por exemplo, para Aladdin, nós brincaríamos com as cores. Aladdin é esse brilhante, divertido, incrível filme, e é um musical, então queríamos fazer combinações modernas com cores brilhantes e realmente mexer com isso. Para As Panteras foi um pouco diferente, fomos mais vampe, com tons mais escuros e brincamos mais com isso. Há essa conexão [com o filme] mas continua sendo eu. Apenas uma linha consistente, na verdade.

Para muitas de nós, mulheres, sentir a si mesma pode significar tantas coisas diferentes em um dia diferente. Como hoje, eu estou nessa saia de látex da Miu Miu que estou amando, mas eu estava em um terno preto mais cedo. É bom misturar.”

JÓIAS TÊM O PODER DE TRANSFORMAR COMPLETAMENTE UM VISUAL

“O que é muito legal sobre muitas das jóias da Bulgari que eu tenho usado nos últimos meses é que elas são robustas, e com um jeito bem rock and roll. Em uma das fotos para a campanha nós dobramos as cargas desses anéis e aquilo pareceu muito poderoso e quase um hip-hop dos anos 90. Mas eu acho que só precisa de uma peça e todo o resto pode ser discreto e legal. Pode ser só um par de brincos, ou um bracelete, ou um anel que sobressai, e então eu manteria o resto muito muito mínimo. Eu gosto de uma justaposição, misturando duas coisas.”

TRABALHE APENAS COM MARCAS QUE VOCÊ ACREDITA DE VERDADE

“Há uma certa intuição – em termos de minha ciência da marca e o que ela representa, o que está dizendo, se eu gosto do que isso aparenta ser – todo esse tipo de coisa. Sempre vem para quando você conhece as pessoas por trás e se você sente que elas são pessoas que você consegue trabalhar… Me sinto muito sortuda e privilegiada por trabalhar com uma marca como a Bulgari que é tão icônica e especial.”


Fonte: Harper’s Bazaar UK
Tradução & Adaptação: Equipe Naomi Scott Brasil


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Naomi Scott não tinha sequer nascido quando Aladdin, a animação original da Disney, chegou aos cinemas em 1992, mas pelo tempo em que foi uma garotinha, a Princesa Jasmine se tornou uma firme favorita para a futura atriz.
Esse ano, com Aladdin se tornando a última animação clássica a aproveitar uma atualização em live-action, Scott esperou que sua interpretação como princesa fosse tão excitante para os fãs contemporâneos quanto foi para ela quando mais nova.

“É importante apresentar a Jasmine como uma personagem forte, esperta e ainda mais  feminina,” diz a mulher de 26 anos. “A Jasmine luta por justiça. Ela é uma líder e uma política e é tão legal para as garotinhas assistirem a mim interpretando-a e pensando, ‘Oh, isso faz sentido. A Jasmine merece ser uma líder’.”

“Ela é a pessoa que estudou e entende seu reino e tudo o que acontece com ele. E é assim que deve ser.”

Em um tempo em que Hollywood – e maior parte da sociedade – está experimentando grandes mudanças no tratamento das mulheres, Scott estava determinada, ao lado do diretor Guy Ritchie, a refletir o espírito da época atual.
A ideia da princesa da Disney está repleta de complexas conotações em gênero e poder, mas rejeita as tradições patriarcais estabelecidas, Jasmine foi uma personagem que refletiu os ideais modernos mesmo no início dos anos 90.

“Quando Guy Ritchie e eu discutíamos sobre a personagem, nos queríamos encontrar uma forma de traduzir essa personagem para o presente,” ela diz. “Eu quis apresentá-la de uma forma que continuasse em comunhão com a história original mas também acrescentar algo fresco, novo e moderno.”

Foi nessa veia que Scott decidiu basear sua performance da Jasmine menos nas grandes estrelas de musicais do passado e mais nas experiências de mulheres ao redor do mundo que têm contado suas histórias através da conduta do #MeToo ou #TimesUp (“#acabouotempo”).

“Minha inspiração, as ferramentas e a energia para interpretá-la vieram da ideia de que têm tantas histórias de mulheres que eu conheço e que ouvi, histórias de força e resiliência de sobre mulheres que se expressaram e foram desligadas”.

“Eu me conectei muito a isso e me inspirei pela sua história. E eu epero que a sua história e o filme ressoem com jovens meninas por todo o globo. É também o tipo de história  que tem muito haver com manter o espírito temporal e eu espero que isso continue o impulso.”

A filha de dois pastores, com seu pai sendo um cristão missionário e sua mãe tendo originalmente vinda da Uganda, a fé de Scott tem sempre sido um fundamento durante sua vida. Em cena, isso contribui com seu famoso senso de humildade – com sua primeira mentora, a estrela pop britânica Kéllé Bryan, dizendo que Scott fica constantemente surpresa ao conseguir papéis mesmo com seus inegáveis talentos.

Longe das câmeras, entretanto, Scott é incomum dentre as várias descobertas vaidosas de Hollywood, tendo se casado com seu namorado da infância, o jogador profissional de futebol Jordan Spence, aos 21 anos após tê-lo conhecido através da igreja.

“Eu não sei como eu viveria sem a minha fé,” ela explica. “Essa paz que você sabe que é amado e valorizado é algo que me mantém incrivelmente firme, incrivelmente focada. Honestamente, eu não vejo isso como algo separado, esse adicional. Minha fé é uma parte de quem eu sou e do que eu faço.”
Tudo isso e mais contribuiu para a missão maior de Scott em Aladdin – que apesar do clima family-friendly do filme, e suas conexões a uma duradoura animação infantil, houve um lado de sua performance que exigiu verdadeira humanidade.
“Nós precisávamos estar aptos a redefinir como nós enxergamos as princesas, e ser muito sérios em termos de como nós definimos a Jasmine, como ela é, onde a sua jornada a está levando e o que ela tem para oferecer ao mundo?” 
“Eu gostei da ideia de interpretar a Jasmine como alguém a quem devemos admiração não por ser uma princesa, mas porque ela é uma líder e é muito direta em como ela aborda as coisas”.
“Eu quis que a Jasmine fosse madura, forte e empoderada – mas ao mesmo tempo, humana. Não é sobre ser perfeita, porque você também pode encontrar força na fraqueza e aprender com seus erros para melhorar a si mesmo e fazer um mundo melhor para os outros.”
Não há dúvidas de que Scott vai carregar alguns desses ideais em seu próximo projeto pós-Aladdin – o reboot de As Panteras dirigido por Elizabeth Banks, estrelando Scott ao lado de Kristen Stewart e a novata inglesa Ella Balinska. 
As demandas físicas para interpretar uma princesa da Disney comparada a uma agente secreta global podem pertencer a finais opostos do espectro, mas para Scott, o novo filme de As Panteras firmou uma das mais brilhantes estrelas nascentes de Hollywood.

Com o filme de ação, Scott encontrou o projeto perfeito para mover sua carreira adiante – dirigido e interpretado por destemidas mulheres. Ele também oferece uma plataforma para exibir as morais e éticas que a fazem uma inestimável atuante para a cinematografia moderna.

“Eu conheci a Elizabeth Banks quando trabalhamos juntas em Power Rangers três anos atrás,” ela recorda. “Ela é literalmente a pessoa perfeita para dirigir esse filme. Ela é uma das pessoas mais espertas que eu já conheci em toda a minha vida.”

“Eu também me sinto abençoada por interpretar outra poderosa mulher. Eu sou sortuda por estar recebendo essas oportunidades e eu estou ansiosa para tudo que vem a seguir.”
GRANDES MARCOS:
1993: Nasce em Hounslow, Londres
2009: Faz sua primeira aparição na série televisiva inglesa Life Bites
2011: Alcança um papel no drama musical adolescente Lemonade Mouth
2014: Casa com o jogador inglês profissional de futebol Jordan Spence
2014: Lança seu primeiro álbum, “Invisible Division”
2015: Estrela no filme Os 33, uma colaboração entre os EUA e o Chile
2017: Indicada para o Teen Choice Awards por seu papel em Power Rangers
2019: Vence o prêmio de Melhor Atriz de Filme de Ficção/Fantasia do Teen Choice Awards com o papél de Jasmine em Aladdin
Fonte: Styles
Tradução & Adaptação: Equipe Naomi Scott Brasil

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Naomi Scott tem tido muitos motivos para estar animada com 2019. Teve seu papel de destaque mundial como Princesa Jasmine no remake de Aladdin da Disney; sua primeira vez como capa da Vogue na edição de abril; e, para um fim de ano espetacular, sua carreira é também composta pelo reboot de As Panteras de Elizabeth Banks ao lado de Kristen Stewart e Ella Balinska (14 de novembro nos cinemas).

Numa chuvosa manhã no Hotel Soho em Londres, entretanto, é a primeira experiência atrás das câmeras a razão do entusiasmo infinito da mulher de 26 anos: um vídeo clipe para “Forget You” pelo musicista Nick Brewer, que ela co-dirigiu com seu marido, o jogador de futebol Jordan Spence. “Nosso lema é dizer, ‘Eu não sei!’ quando estamos perdidos,” ela diz com uma gargalhada quando eu perguntei como ela se portou estando na cadeira da direção pela primeira vez. “Imagine chegar para fazer um filme dizendo isso… Nós nunca fingimos ser experts nisso. Eu fiz muitas perguntas.”

É o tipo de modéstia triunfante pela qual Scott é conhecida na indústria, mas o resultado do vídeo de 11 minutos não parece de jeito algum com o trabalho de amadores – apesar do fato de ter sido feito inteiramente com amigos e “pessoas pelas quais nos apaixonamos por eras”, de acordo com o Spence de 29 anos. Brewer conhece o casal há anos, enquanto que o estilista mundialmente renomado de Scott, Zadrian Smith, atuou como o diretor de moda para o projeto – entrelaçando diversas nominações à história da arte graças a um fundo na pintura renascentista do século 16.

De fato, inúmeras são as surpreendentes referências pontilhadas pelo vídeo – cada qual com uma clara intenção. Sentados um ao lado do outro no sofá estofado demais, a dupla de marido e mulher estão quase que comicamente em sincronia enquanto me contavam sobre – completando as frases um do outro entre goles de chá de camomila. Peças-chave para procurar? Um subplot inspirado em Homens de Preto; um foco em laranjas que são destacadas no filme tcheca de 1966, As Pequenas Margaridas; e uma temática do Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças.

Existe alguma barreira entre a relação pessoal e criativa dos dois? Em uma palavra: não. “Estamos constantemente conversando sobre as ideias um do outro: para roteiros, para visuais, para música…” Scott diz sobre o poder da dinâmica do casal. “Colaborar um com o outro dessa maneira faz parte do nosso cotidiano.” Spence entra, “Aliás, para nós, esse tipo de trabalho criativo realmente é pessoal – e isso é o que é tão incrível no fim das contas.”

Assista ao vídeo:


Fonte: Vogue UK
Tradução & Adaptação: Equipe Naomi Scott Brasil